sábado, 4 de julho de 2020

Pedaço de sol



Não Sei dizer se era jaula, ou gaiola, eu não podia nem se quer estender a mão para pegar meu pote de oxigênio.
Carvão, rosas e armas. Com o carvão desenhei um relógio no meu pulso, como fazia minha mãe quando eu era pequeno.
As rosas plantei em meu coração meio flor, meio de aço.
Com as armas matei minha vida.
Não perdi a esperança.
Porque todo amor genuíno acaba em sangue, lagrimas e flores mortas?
Eu vou morre antes por não saber entender e aceitar a finidade das coisas.
Qual é o destino dos finais? Estou perguntando, responde porra.
Morei em um castelo, lá tinha tudo menos eu, fora dele também.
Matam flores para enfeitar defuntos, o pior é que sempre haverá quem goste de flores mortas.
Resolvi andar um pouco pela rua augusta, antes de sair perguntei a meu porteiro, para onde vamos quando morremos, ele disse vou pensar, voltando da rua te respondo.
Na rua augusta vi um monte de gente triste, sem brilho nos olhos.
Penso que a multidão de gente triste e pequena que vi, pode ser eu apenas eu desolado pela vida que me negou um banho de luz para que eu pudesse ir ao encontro do Deus.
Andando sem rumo, de repente me vi cheio de amor e caridade para comigo e todas aquelas pessoas.
Ainda tenho esperança, mas continuar sem fé é um convite irresistível para o suicídio.
O peito de repente é invadido pelo lado mais macabro do amor, se é que o amor tem outro lado. Logo as velas que haviam em meu coração se apagaram e me dei o direito ao pranto.
O coração sangra e a alma chora.
Choro por amor todos os dias, porque seu começo e seu fim estão costurados no mesmo tecido.
Você já chorou por amor? Responda caralho.
A minha volta tudo tão sujo, desorganizado e velho assim como meu coração que te escreve fadado a nunca saber o por que.
Eu, não tenho família, amores e odeio cachorros, mas tenho um pouco de grana para sobreviver e comer umas putas com o que sobra.
Você já morreu de amor? Odeio a sua mudez.
Senhor, senhor está cada vez mais difícil escrever, mas mesmo assim vou tentar continuar, de modo, que não escrevo por prazer , apenas para evitar a crise de abstinência.
Ainda tenho esperança!
Você já matou por amor?Creio que sim, por isso te perdoei e o mundo também.
Às vezes no escuro do meu quarto eu penso em Daniela, ela me lambia inteiro antes de dormir, como gatinho bebendo leite. Era exatamente igual.
Nada daquilo era amor, ela se foi e deixou seu cheiro de ternura e carinho raquítico.
Faço força para manter a esperança.
Eu estava com um raciocínio ótimo, comecei a escrever e tudo virou uma bosta.
Voltei para casa, na augusta não tem sol e isso me mata.
Voltando perguntei novamente ao porteiro, para onde vamos quando morremos, ele disse para o cemitério.
Sabia que você pode morrer hoje ou amanhã? Eu estou me preparando para o sopro final, e você?Penso que não porque se assim fosse, o mundo seria bem mais colorido e menos dolorido.
Ao entrar no quarto tinha garrafas de uísque vazias, pontas de cigarros espalhado por todos os cantos e um cheiro de maconha insuportável.
Vesti minha roupa de príncipe, acendi uma vela para santa Clara, sentei ao lado da vela e pensei: talvez eu tenha sido amado, ou eu tinha alguma coisa que por egoísmo elas precisassem.
Nunca, nunca, nunca fui amado da maneira que necessito ser amado.
Levantei peguei um pedaço de carvão que estava dentro de um copo virgem, para trazer boas noticias e com o carvão eu escrevi na parede: Amor é mentira.
Essa era a minha vingança contra um Deus todo poderoso.
A luz de vela na poltrona velha perto da cama estava lá o inimigo de Deus. Ele logo estendeu as mãos para mim.
Mas o que afinal ele queria de mim?
Para onde ele me levaria, pois nunca tive interesse pelo inferno e o paraíso, ele não tinha a senha.
Caminhei em sua direção e logo a vela se apagou sozinha, novamente acendi a vela, mas ele já tinha partido ou meu pensamento infeccionado inventou tudo isso.
Deus foi brutal comigo, não me permitiu revelas para o mundo que meu coração é o quintal de minha casa.
Deus roubou todas as minhas dezenas de amores, e como se não bastasse abortou meu carnaval, ainda na maternidade.
Nada nesse mundo é mais afrodisíaco do que um ser inteligente. O poeta me contou.
O que nos mantém vivos é a certeza e a liberdade de colocar fogo no circo, e não precisar conviver com a fumaça.
Eu sou um vendedor de dores, de modo que sou apaixonado pela vida e pela morte com igual fervor.
Solidão é tristeza em braille.
Não acredito em bruxas, mas sei que elas existem.
Entre dois que se amam e perpetuaram esse amor, há sempre um punhal , preparado para o golpe final.
Da janela do meu quarto eu gritava pelo afago de um Deus, ou um copo de cachaça.
Não se preocupe com a morte ela é tão vulgar, que sempre leva primeiro crianças, negros, gays, pobres e mulheres.
Meus mais de mil livros não suporto mais, meus discos também, até o espelho de meu quarto quebrei com uma cuspida violenta.
Se eu não fosse poeta, o que eu seria? Talvez feliz.
Deus estava decidido a me fazer beber até o fim meu cálice de fumaça mortal.
Sou um pássaro de asa quebrada.
Os príncipes também choram?
No meu lindo tumulo quero escrito (não aprendi dizer adeus).
O apostolo Paulo dizia ter um espinho na carne, eu também tenho e é a a minha velha inabilidade em lidar com o fim das coisas.
Com as mãos sujas de carvão e cera de vela eu me rendo e declaro aqui que toda família tem putas, cornos, gays, drogados, ladrões, quem vai levanta a mão primeiro, você? Ou eu?
Depois que mataram meu grito, o mundo teria que virar de cabeça para baixo para eu voltar a caber dentro dele.
Ainda não perdi a esperança, a gente nunca perde o que nunca teve.
Sou livre por dentro e por fora, ontem peguei na rua alguém para fuder comigo, acordei a pessoa já havia partido, não me lembro se era homem, travesti mulher, casal ou outros.
Depois de me percorrer inteiro me dei o direito de depois de meia noite transar com qualquer coisa que se mova.
Marlon príncipe

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