sábado, 11 de fevereiro de 2017

Fim


A perda amorosa é um assunto recorrente nos consultórios de terapia e a maneira como cada pessoa vivencia esse momento depende de uma série de fatores.
A dor de perder a pessoa que amamos pode ser uma das piores experiências humanas, inclusive para quem têm autoestima elevada, pois costuma provocar uma sensação de insegurança na própria capacidade de amar.
E quanto mais baixo for o sentimento de valor pessoal, mais vulnerável a pessoa estará ao sentimento de rejeição. Além de que a sensação de abandono será tanto mais intensa, quanto mais possessivo for o amante preterido.
Neste artigo vou ater-me à separação entre vivos, não falarei da perda por morte do ser amado. Mas, da dor de perder a pessoa amada, quando esta decide terminar a relação. Talvez, este seja o pior dos lutos, morrer na consciência do outro.
O significado que a nossa sociedade dá para esse evento contribui para aumentar o sofrimento dos amantes. Aprendemos que o amor é eterno, quando na verdade, o amor precisa ser reinventado a cada dia. As músicas enfatizam: “minha vida sem você não faz sentido”, “de que vale tudo isso se você não está aqui” e, aos poucos, fomos acreditando na “metade da laranja”. Contudo, somos seres inteiros, o outro pode complementar a nossa existência com sua presença e trazer felicidade a nossa vida, mas nunca nos completar.
Existem pessoas que depositam toda a sua energia de vida em um relacionamento, esquecendo-se de si mesmas. São aquelas de se dedicam, quase que totalmente, ao namorado, marido, filhos, geralmente, são as que mais sofrem quando o outro termina a relação.
Porém, quando desenvolvemos uma visão mais realista e menos dependente das relações, despertamos para a consciência de que não existem garantias para os relacionamentos.
Como esse assunto é complexo e extenso, vou direto a algumas atitudes que muito podem nos ajudar a superar a dor do luto.
– Nunca perca o seu referencial interno! Dedique muito amor a você, jamais dependa do outro para ter certeza do seu valor!
– Não permita que o outro seja sua única fonte de prazer e alegria. Tenha amigos, pratique um hobby. Não queira sempre fazer tudo junto com o outro.
– Saia do “grupo de pessoas carentes”, aprenda a curtir a sua própria companhia. Estando em um relacionamento ou não, quando estiver sozinho(a) abra um espumante, aprecie a natureza, reverencie a vida, fotografe as flores, leia um livro.
– Evite tentar controlar os sentimentos e as atitudes do outro. Todos nós podemos ser preteridos um dia, da mesma forma que também somos livres para sair de uma relação.
É importante estar consciente de que aquele que termina a relação é um ser humano como nós, que tem suas próprias motivações e conflitos internos e que nem sempre a sua atitude tem a ver conosco. Considerar a realidade interna do outro, em princípio, pode não aliviar a dor, mas ajuda a desdramatizar a situação.
– Quando perdemos alguém que amamos, o luto é inevitável e a primeira fase que passamos é a da negação, não queremos acreditar. Esse sentimento é normal, mas sair do papel de vítima e reforçar a autoestima é fundamental, pois as fases que seguem, trazem uma série de sentimentos, dor, raiva, culpa, tristeza e isolamento, até chegarmos a última: a aceitação. O tempo de duração desse processo vai depender da maneira como cada pessoa lida com situações de crise e de outras circunstâncias do entorno.
É importante manter a consciência de que esse processo tem fim. Considere a possibilidade de buscar uma terapia para entender melhor seus sentimentos e aprender a lidar com os conflitos.
Abandonar o vício da infelicidade nos permite repensar nossos valores. A vida segue e se soubermos tirar o aprendizado dessa experiência, estaremos mais amadurecidos e muito mais confiantes para amar novamente.
Príncipe maluco

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