segunda-feira, 30 de junho de 2014

O tamanho do pau




O tamanho do pênis é alvo de grande interesse para muitas pessoas. Algumas consideram ter um pênis grande um sinal de masculinidade, enquanto outras consideram que seus pênis são muito pequenos para satisfazer as pessoas com quem estabelecem relações sexuais. Estas inseguranças levaram ao surgimento de muitas crenças errôneas sobre o tamanho do pênis e à criação de uma indústria completamente voltada para o aumento do pênis.

Comparado com outros primatas, até mesmo primatas maiores como o gorila, a genitália humana masculina é consideravelmente grande. O pênis humano é mais longo e grosso que qualquer outro primata tanto em termos absolutos, quanto comparado com o tamanho relativo ao resto do corpo.
Marlon

domingo, 22 de junho de 2014

A Mayara é uma desgraça




A estudante Mayara Penteado que recentemente publicou nas redes sociais que seu desejo é de que se mate um NORDESTINO por dia, não ficará presa, por ser de família rica apenas pagará multa, é uma pena, ela certamente não conhece a força e a cultura brilhante de nos nordestinos. Ela desconhece Jorge Amado, Ariano Suassuna, Jean Wyllys, Edson Gomes, Raul Seixas e tantas outras mentes geniais que contribuíram para a cultura e iluminação do Brasil através da arte e do amor.
O nordeste é lindo e seu povo APAIXONANTE.
Nordestino só tira DEZ frente e verso inclusive.
Marlon


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Amiga e leitora




Querido Marlon, acabei de ler e amei o seu livro "O gosto do sexo sem rosto". Espero que você tenha todo sucesso do mundo. Você é um escritor muito talentoso. Sucesso!!!
Mamma Bruschetta .


''Todos escolhem as pessoas felizes, você escolheu me fazer feliz''
MARLON ALBUQUERQUE

Por Edson Degaki



Depois de mergulhar no universo de um Garoto de Programa, vislumbrando uma leitura densa e conturbada, me conduzindo a uma grande reflexão sobre as dores e sofrimentos que são expostos e mesmo aos momentos de alegria quando o prazer e o sexo pode proporcionar. O exercício diário dos programas a ponto de exterminar os sonhos e a vida desses meninos homens que se transformam em máquinas de sexo. A difícil realidade de muitos garotos que se transformam aniquilam o amor, vivenciando a mesquinhes de receber intolerância e se tornam invisíveis aos seus clientes. Mas como seres humanos um momento quebram as algemas e partem sem rostos anônimos para um mundo preconceituoso se tornando mais um na grande massa. adorei o livro que trata das nossa dores, do sexo como mercadoria, e claro do amor livre que aprisiona a todos nós.
Obrigado leitor Edson Degaki por confiar em meu trabalho. Grande abraço!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Deus me livre de todo mal



‘’Fui feliz por vinte minutos, mas voltei, Deus me livre daquilo durar, não posso dizer que não valeu, mas voltei porque AQUI eu sou mais eu’’.
Marlon de Albuquerque

Assim nasce o MAL


Excelente para discutir sociologia e filosofia - O nome deveria ser: assim nasce uma ditadura, assim nasce o fascismo, assim nasce o nazismo, assim nasce a homofobia,assim nascem as gangues... Recomendo, assista "A Onda".

Massagem prostática super recomendo


Escravos do prazer


''Quando sentimos prazer o tempo inteiro o prazer deixa de ser prazer, ou vira desprazer ou vira tédio''.
Marlon

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Já deu certo



‘’Só por ter acontecido já deu certo. Reconcilie em seu coração presença e ausência , porque a experiência do desligamento deve ser tão bonita como a experiência do primeiro encontro. Esse sim é um jeito bonito de ser pessoa’’.
Marlon

Fernando Pessoa




Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Velho ou idoso?




Na semana passada, sugeri a uma pessoa próxima que trocasse a palavra “idosas” por “velhas” em um texto. E fui informada de que era impossível, porque as pessoas sobre as quais ela escrevia se recusavam a ser chamadas de “velhas”: só aceitavam ser “idosas”. Pensei: “roubaram a velhice”. As palavras escolhidas – e mais ainda as que escapam – dizem muito, como Freud já nos alertou há mais de um século. Se testemunhamos uma epidemia de cirurgias plásticas na tentativa da juventude para sempre (até a morte), é óbvio esperar que a língua seja atingida pela mesma ânsia. Acho que “idoso” é uma palavra “fotoshopada” – ou talvez um lifting completo na palavra “velho”. E saio aqui em defesa do “velho” – a palavra e o ser/estar de um tempo que, se tivermos sorte, chegará para todos.
Desde que a juventude virou não mais uma fase da vida, mas uma vida inteira, temos convivido com essas tentativas de tungar a velhice também no idioma. Vale tudo. Asilo virou casa de repouso, como se isso mudasse o significado do que é estar apartado do mundo. Velhice virou terceira idade e, a pior de todas, “melhor idade”. Tenho anunciado a amigos e familiares que, se alguém me disser, em um futuro não tão distante, que estou na “melhor idade”, vou romper meu pacto pessoal de não violência. O mesmo vale para o primeiro que ousar falar comigo no diminutivo, como se eu tivesse voltado a ser criança. Insuportável.
A velhice é o que é. É o que é para cada um, mas é o que é para todos, também. Ser velho é estar perto da morte. E essa é uma experiência dura, duríssima até, mas também profunda. Negá-la é não só inútil como uma escolha que nos rouba alguma coisa de vital. Semanas atrás, em um programa de TV, o entrevistador me perguntou sobre a morte. E eu disse que queria viver a minha morte. Ele talvez não tenha entendido, porque afirmou: “Você não quer morrer”. E eu insisti na resposta: “Eu quero viver a minha morte”.
Na adolescência, eu acalentava a sincera esperança de que algum vampiro achasse o meu pescoço interessante o suficiente para me garantir a imortalidade. Mas acabei aceitando que vampiros não existem, embora circulem muitos chupadores de sangue por aí. Isso só para dizer que é claro que, se pudesse escolher, eu não morreria. Mas essa é uma obviedade que não nos leva a lugar algum. Que ninguém quer morrer, todo mundo sabe. Mas negar o inevitável serve apenas para engordar o nosso medo sem que aprendamos nada que valha a pena.
A morte tem sido roubada de nós. E tenho tomado providências para que a minha não seja apartada de mim. A vida é incontrolável e posso morrer de repente. Mas há uma chance razoável de que eu morra numa cama e, nesse caso, tudo o que eu espero da medicina é que amenize a minha dor. Cada um sabe do tamanho de sua tragédia, então esse é apenas o meu querer, sem a pretensão de que a minha escolha seja melhor que a dos outros. Mas eu gostaria de estar consciente, sem dor e sem tubos, porque o morrer será minha última experiência vivida. Acharia frustrante perder esse derradeiro conhecimento sobre a existência humana. Minha última chance de ser curiosa.
Há uma bela expressão que precisamos resgatar, cujo autor não consegui localizar: “A morte não é o contrário da vida. A morte é o contrário do nascimento. A vida não tem contrários”. A vida, portanto, inclui a morte. Por que falo da morte aqui nesse texto? Porque a mesma lógica que nos roubou a morte sequestrou a velhice. A velhice nos lembra da proximidade do fim, portanto acharam por bem eliminá-la. Numa sociedade em que a juventude é não uma fase da vida, mas um valor, envelhecer é perder valor. Os eufemismos são a expressão dessa desvalorização na linguagem.
Não, eu não sou velho. Sou idoso. Não, eu não moro num asilo. Mas numa casa de repouso. Não, eu não estou na velhice. Faço parte da melhor idade. Tenho muito medo dos eufemismos, porque eles soam bem intencionados. São os bonitinhos mas ordinários da língua. O que fazem é arrancar o conteúdo das letras que expressam a nossa vida. Justo quando as pessoas têm mais experiências e mais o que dizer, a sociedade tenta confiná-las e esvaziá-las também no idioma.
Chamar de idoso aquele que viveu mais é arrancar seus dentes na linguagem. Velho é uma palavra com caninos afiados – idoso é uma palavra banguela. Velho é letra forte. Idoso é fisicamente débil, palavra que diz de um corpo, não de um espírito. Idoso fala de uma condição efêmera, velho reivindica memória acumulada. Idoso pode ser apenas “ido”, aquele que já foi. Velho é – e está. Alguém vê um Boris Schnaiderman, uma Fernanda Montenegro e até um Fernando Henrique Cardoso como idosos? Ou um Clint Eastwood? Não. Eles são velhos.
Idoso e palavras afins representam a domesticação da velhice pela língua, a domesticação que já se dá no lugar destinado a eles numa sociedade em que, como disse alguém, “nasce-se adolescente e morre-se adolescente”, mesmo que com 90 anos. Idosos são incômodos porque usam fraldas ou precisam de ajuda para andar. Velhos incomodam com suas ideias, mesmo que usem fraldas e precisem de ajuda para andar. Acredita-se que idosos necessitam de recreacionistas. Acredito que velhos desejam as recreacionistas. Idosos morrem de desistência, velhos morrem porque não desistiram de viver.
Basta evocar a literatura para perceber a diferença. Alguém leria um livro chamado “O idoso e o mar”? Não. Como idoso o pescador não lutaria com aquele peixe. Imagine então essa obra-prima de Guimarães Rosa, do conto “Fita Verde no Cabelo”, submetida ao termo “idoso”: “Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam...”.
Velho é uma conquista. Idoso é uma rendição.
Como em 2012 passei a estar mais perto dos 50 do que dos 40, já começo a ouvir sobre mim mesma um outro tipo de bobagem. O tal do “espírito jovem”. Envelhecer não é fácil. Longe disso. Ainda estou me acostumando a ser chamada de senhora sem olhar para os lados para descobrir com quem estão falando. Mas se existe algo bom em envelhecer, como já disse em uma coluna anterior, é o “espírito velho”. Esse é grande.
Vem com toda a trajetória e é cumulativo. Sei muito mais do que sabia antes, o que significa que sei muito menos do que achava que sabia aos 20 e aos 30. Sou consciente de que tudo – fama ou fracasso – é efêmero. Me apavoro bem menos. Não embarco em qualquer papinho mole. Me estatelei de cara no chão um número de vezes suficiente para saber que acabo me levantando. Tento conviver bem com as minhas marcas. Conheço cada vez mais os meus limites e tenho me batido para aceitá-los. Continua doendo bastante, mas consigo lidar melhor com as minhas perdas. Troco com mais frequência o drama pelo humor nos comezinhos do cotidiano. Mantenho as memórias que me importam e jogo os entulhos fora. Torço para que as pessoas que amo envelheçam porque elas ficam menos vaidosas e mais divertidas. E espero que tenha tempo para envelhecer muito mais o meu espírito, porque ainda sofro à toa e tenho umas cracas grudadas à minha alma das quais preciso me livrar porque não me pertencem. Espero chegar aos 80 mais interessante, intensa e engraçada do que sou hoje.
Envelhecer o espírito é engrandecê-lo. Alargá-lo com experiências. Apalpar o tamanho cada vez maior do que não sabemos. Só somos sábios na juventude. Como disse Oscar Wilde, “não sou jovem o suficiente para saber tudo”. Na velhice havemos de ser ignorantes, fascinados pelas dimensões cada vez mais superlativas do que desconhecemos e queremos buscar. É essa a conquista. Espírito jovem? Nem tentem.
Acho que devíamos nos rebelar. E não permitir que nos roubem nem a velhice nem a morte, não deixar que nos reduzam a palavras bobas, à cosmética da linguagem. Nem consentir que calem o que temos a dizer e a viver nessa fase da vida que, se não chegou, ainda chegará. Pode parecer uma besteira, mas eu cometo minha pequena subversão jamais escrevendo a palavra “idoso”, “terceira idade” e afins. Exceto, claro, se for para arrancar seus laços de fita e revelar sua indigência.
Quando chegar a minha hora, por favor, me chamem de velha. Me sentirei honrada com o reconhecimento da minha força. Sei que estou envelhecendo, testemunho essa passagem no meu corpo e, para o futuro, espero contar com um espírito cada vez mais velho para ter a coragem de encerrar minha travessia com a graça de um espanto.
Eliane Brum- Jornalista

Adoro voar



Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector

Festa: melhores do ano





Obrigado Emerson PapoMix e Anderson PapoMix , pela oportunidade de fazer parte desse programa que tem como objetivo inserir humanos invisíveis no tecido social, obrigado por ter participado dessa grande festa e por esta entre os melhores do ano de 2013.
Quero agradecer também pessoas lindas que conheci através do papo mix: Suellen Luz , Sophya Poi Son , Marcos Freitas, Velaske Brawm, Kylie Hickmann , Drag Tchaka Rainha , Lufe Steffen , Acácio Brindo Cabaret e tantos outros, como disse Leão Lobo o PAPO MIX é uma família e me sinto honrado em fazer parte dela porque o PAPO MIX é pela paz, é pela luz, é pela arte.
Grande beijo a todos!
Marlon.














segunda-feira, 2 de junho de 2014

Maria Candelária, mulher, prostituta e anjo



Na Rua Curitiba, Bairro industrial, mora uma senhora franzina de camisola rosa claro, feição melancólica e olhos verdes. Esta senhora atende pelo apelido de Candelária, uma figura mítica de Aracaju.
Entretanto esta mesma senhora,na década de 60,foi a prostituta mais famosa e requisitada da capital. Ela foi uma exceção entre as prostitutas, pois conseguiu desfrutar de certo glamour, tal qual assistimos nos filmes. Hoje, reclusa das badalações, ela é presidente Associação Sergipana de Prostitutas (ASP) onde luta pela cidadania das profissionais da área.
Antes de ser Candelária, Maria Niziana Castelino, ainda muito pequena, vivia só com a mãe que logo foi vítima de tuberculose, fato que ela relata sob lágrimas. Desse tempo em diante passou por um orfanato e de lá foi adotada por uma família. A mulher que a adotou agredia-lhe bastante. “Ela não me batia, ela me espancava e depois me dava banho de água de sal. Me colocava pra dormir no quintal com os cachorros”. Não agüentando tal condição de vida, foi morar nas ruas onde passou por muitas privações. “Na igreja tinha um lugarzinho onde eu me protegia de sol, de chuva, mas as beatas me expulsavam. Dormir debaixo dos bancos das praças era muito frio”.
Ela saiu das ruas para trabalhar numa casa como doméstica e num teatro, onde aprendeu a dançar. “Dançava mambo, strip-tease, e a dança dos sete véus, mas não é o strip-tease de hoje não”, afirma candelária demonstrando que rosas cobriam seus seios e partes íntimas (um pouco mais comportado do que hoje se vê). Foi no teatro que recebeu o apelido, na verdade seu nome artístico, Candelária, por ser bonita e imponente como a igreja da Candelária.
Aos 16 anos começou a trabalhar na casa de prostituição mais elegante da capital, Miramar. Candelária relata que o começo de sua vida na prostituição foi de forma ingênua, pois como era muito nova, tinha medo dos homens que recebia no quarto. Irenilde Santos, sua amiga e parceira na ASP, explica “Ela era tão linda, tão linda que nem precisa fazer nada, que o homem só de olhar, conseguia o que queria.”
Em relação aos casos e amores da época, ela afirma que não teve nenhum de grande importância, apenas um que quando ainda muito jovem prometeu-lhe casamento. Mas foram muitos os apaixonados pela jovem de corpo esguio e olhos verdes. “Teve um que se apaixonou por ela, mas ele teve que viajar para estudar fora, pois aqui em Aracaju não tinha muito recurso para ele se formar. Ele voltou faz cinco anos, mas disse que não quer ver a Candelária hoje, porque quer ficar com a última lembrança que ele tem dela, com um vestido azul que ele mais gostava. Ele não quer ver a Candelária de hoje, quer manter aquela imagem.” Irenilde comprova a visão que Candelária causou no imaginário masculino.
Durante toda a sua vida na prostituição Candelária afirma que teve todos os seus sonhos de consumo supridos, pois tudo que queria seus clientes lhe davam, desde jóias até viagens. Alega que seu maior sonho mesmo era ter uma grande família, como ela assistia no filme “A noviça rebelde”, para preencher seus vazios na época, que até hoje não foram preenchidos, segundo a própria.
Quando o assunto é família e filhos, Candelária se emociona muito, pois seu primeiro filho ficou com ela só o período de amamentação, logo após foi retirado, pelo fato de ser prostituta. Esse fato foi determinante para gerar revolta e uma certa anarquia em Candelária que afrontou a sociedade (ainda mais) moralista da época. Foi presa diversas vezes, e deportada pra seu estado de origem (PE). Por duas vezes, ainda na estrada, fugiu de volta para Aracaju. Num tempo onde a sociedade cobrava da policia que as prostitutas andassem nas ruas depois das 10 da noite para não se misturarem com mulheres de família, Candelária, à luz do dia, ousava freqüentar casas de chás e sorveterias, mas ao não ser atendida, virava as mesas. Ia presa mais uma vez, no entanto os seus clientes a soltavam.
Aos 23 anos Candelária larga a prostituição e dá um novo rumo à sua vida. “È uma lutadora. Ela realmente procura lutar pelos direitos das prostitutas. Eu vibro muito quando vejo candelária atuando nessa luta.” Essa frase foi como o médico e porta-voz do que se diz respeito a AIDS no Estado, Almir Santana, definiu Candelária. Pelo fato dela servir de intermediaria entre a secretaria de saúde e as prostitutas, por facilitar o acesso e compreender a linguagem e o cotidiano das profissionais do sexo. Essa parceria entre Almir e Candelária, visa distribuir preservativos e fazer campanhas de prevenção entre as profissionais, para que assim sejam melhor atendidas.
O trabalho da ASP não se restringe apenas a prevenção. Também oferece cursos de artesanato, culinária, informática entre outros. Planejamento familiar e apoio psicológico também estão inclusos no projeto. Não apenas as prostitutas são beneficiadas pela ASP, mas seus filhos também, acolhendo de forma ampla toda a família, o que auxilia na construção de uma base.
Através do seu trabalho, a associação foi premiada pela revista Claúdia e pela UNDP (sigla em inglês para o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas) pelo trabalho de redução de danos em drogas. Esses foram alguns dos reconhecimentos que obteve ao longo do seu trajeto.
Recebendo o premio Claudia ao lado da atriz Marília Pêra. Fonte: http://www.editoraabril.com.br
Vale ressaltar que nem a ASP nem Candelária fazem apologia à prostituição, apenas querem garantir o direito à cidadania, saindo em defesa destas mulheres marginalizadas pela sociedade.
Ao perguntar se Candelária se considerava a ‘fada madrinha’ das prostitutas, antes mesmo da própria responder, Irenilde interrompe e dá a resposta emocionada “Mãe! Eu to dizendo isso porque é o que eu sinto por ela. Ela é a minha mãe porque o que ela faz por mim é coisa de mãe. É o que eu sempre digo: eu perdi uma mãe, mas ganhei outra.”
Candelária tem o espírito materno aflorado, e coloca esse sentimento em tudo que faz. Ela é alma da ASP e vice-versa. É de onde esta mulher de saúde debilitada tira as suas forças para viver. Com uma grande trajetória de vida, Candelária é prova viva de que nunca é tarde para fazer um novo começo.





domingo, 1 de junho de 2014

Novos erros é melhor


''Cansei de cometer os mesmos erros, estou percebendo que o mundo esta cheio de erros novos e diferentes para eu cometer''.
Marlon de Albuquerque