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segunda-feira, 10 de junho de 2024

TOLA VITÓRIA HUMANA( Será adaptado para os melhores teatros do BRASIL em 2026) CONFIRMADO! Alegria , alegria!

 



 Pagamos para nascer, pagamos para morrer, pagar, pagar e pagar será mesmo que a vida é só isso?

 Sinto-me Cansado, cansado, cansado, cansado, cansado de pagar boquete, pagar promessas, pagar contas e pagar pedágio por cada dia de vida.

Sou fumante e por isso nunca mais vou te visitar, não quero matar de câncer às paredes do seu lindo triplex.

No mundo não tem espaço para eu estacionar meu carro, meu amor e meu ser molhado de chuva falsamente redentora.

Bebo uísque na busca de fé, esperança e amor, embora eu saiba que enquanto houver uísque haverá também fé, esperança e a dor.

Dispenso a gramática a ortografia e vou seguir daqui para frente apenas a idéia.

A vida é apenas um truque que a morte usa para atravessar gerações.

Éramos pipoca com leite condensado, brigadeiros, guerra de travesseiros. Éramos dois, três, tantos agora sobrou apenas eu e minhas circunstâncias.

Se eu invento livros, bolos e gente, quem me garante que também não estou inventando tudo isso?

Não sei se bato palmas ou acendo uma vela. Sábado eu vou à rua: Augusta em busca de drogas, parafilias, e DST, s. O que mais me deprime na Augusta é quando os tatuados resolvem contar o significado das tatuagens.

Fui jogado aqui a esmo, ninguém me explica nada.

Voei pendurado nas asas de um pássaro de fogo, apenas para fugir do meu mundo brutal e sem sal.

É verdade que depois do começo, tudo que vier vai começar a ser o fim?

Cachorro é nojento, e o poeta nos ensina a resignação fingida, mas suas ,roupas intimas, sou eu quem lavo.

Em São Paulo com mil reais vocês comem o cu de quem quiser, se for na rua augusta então basta cem. Dinheiro na mão, cueca no chão. Essa é a lei.

 Cortaram minha água, minha luz e a cada dia fica mais difícil pagar o aluguel, acho que vou precisar vender os livros, ou a alma, ou o corpo sem jovialidade.

Retalhos de sentimentos costurados no tecido do meu corpo.

Deus criou Jesus, Maria e o espírito santo, mas me diga de uma vez por todas antes que eu coloque fogo nesse apartamento quem criou Deus? 

Andei um pouco pela rua augusta, antes de sair perguntei a meu porteiro, para onde vamos quando morremos, ele disse vou pensar, voltando da rua te respondo.
Na rua augusta vi um monte de gente triste, sem brilho nos olhos.
Penso que a multidão de gente triste e pequena que vi, pode ser eu apenas eu desolado pela vida que me negou um banho de luz para que eu pudesse ir ao encontro do Deus.
Andando sem rumo, de repente me vi cheio de amor e caridade para comigo e todas aquelas pessoas.

Ainda tenho esperança, mas continuar sem fé é um convite irresistível para o suicídio. Cada palavra escrita é um suicídio adiado.
O peito de repente é invadido pelo lado mais macabro do amor, se é que o amor tem outro lado.  O amor matou todos os símbolos que me emprestavam asas. Logo as velas que havia em meu coração se apagaram e me dei o direito ao pranto.
O coração sangra e a alma chora.
Choro por amor todos os dias, porque seu começo e seu fim estão costurados no mesmo tecido.
Você já chorou por amor?

 A minha volta tudo tão sujo, desorganizado e velho assim como meu coração que te escreve fadado a nunca saber o por que.
Eu, não tenho família, amores e odeio cachorros, mas tenho um pouco de grana para sobreviver e comer umas putas com o que sobra.
Você já morreu de amor? Odeio a sua mudez.
Senhor, senhor está cada vez mais difícil escrever, mas mesmo assim vou tentar continuar, de modo, que não escrevo por prazer, apenas para evitar a crise de abstinência.
Você já matou por amor? Se não, saiba que nunca é tarde.
Às vezes no escuro do meu quarto eu penso em Daniela, ela me lambia inteiro antes de dormir, como gatinho bebendo leite no pires. Era exatamente igual. Mas nada daquilo era amor e no ano passado ela morreu em um desastre de avião. Bem feito, ela vivia confundindo liberdade com estado civil. Confesso muitas vezes sinto um aperto no peito, penso que é saudade do balé do seu corpo em minhas digitais.
Nada daquilo era amor, ela se foi e deixou seu cheiro de ternura e carinho apodrecido.
Faço força para manter meu coração ativo.

Passei em um bar e entre um bilhar e outro uma mocinha chupou meu pau no banheiro e eu gozei em sua boca e ela engoliu tudo. Eu não quis saber sua idade, sua cidade, nada dela me interessava mais.
Eu estava com um raciocínio ótimo, comecei a escrever e tudo virou uma bosta.
Voltei para casa, na augusta não tem sol e isso me mata.
Voltando perguntei novamente ao porteiro, para onde vamos quando morremos, ele disse para o cemitério.
Sabia que você pode morrer hoje ou amanhã? Eu estou me preparando para o sopro final, e você?Penso que não porque se assim fosse, o mundo seria bem mais colorido e menos dolorido.
Ao entrar no meu quarto tinha garrafas de uísque vazias, pontas de cigarros espalhado por todos os cantos e um cheiro de maconha insuportável.
Vesti minha roupa de príncipe, acendi uma vela para santa Clara, sentei ao lado da vela e pensei: talvez eu tenha sido amado, ou eu tinha alguma coisa que por egoísmo elas precisassem.
Nunca, nunca, nunca fui amado da maneira que necessito ser amado.
Levantei peguei um pedaço de carvão que estava dentro de um copo virgem, para trazer boas noticias e com o carvão eu escrevi na parede: Amor é mentira.
Essa era a minha vingança contra um Deus todo poderoso e meu destino pavoroso.
A luz de vela na poltrona velha perto da cama estava lá o inimigo de Deus. Ele logo estendeu as mãos para mim.
Mas o que afinal ele queria de mim?
Para onde ele me levaria, pois nunca tive interesse pelo inferno e o paraíso, ele não tinha a senha.
Caminhei em sua direção e logo a vela se apagou sozinha, novamente acendi a vela, mas ele já tinha partido ou meu pensamento infeccionado inventou tudo isso.
Deus foi brutal comigo, não me permitiu revelas para o mundo que meu coração é o quintal de minha casa.
Deus roubou todas as minhas dezenas de amores, e como se não bastasse abortou meu canto mais bonito, ainda na maternidade.
Nada nesse mundo é mais afrodisíaco do que um ser inteligente. O poeta me contou.

No ano passado fui a uma danceteria na Alemanha e tocaram Canto de areia- Clara Nunes. Dancei , dancei, dancei totalmente entregue a uma alegria quase suicida. Vamos dançar?
O que nos mantém vivos é a certeza e a liberdade de colocar fogo no circo, e não precisar conviver com a fumaça.

Eu sou um vendedor de dores, de modo que sou apaixonado pela vida e pela morte com igual fervor.
Solidão é tristeza em Braille.
Não acredito em bruxas, mas sei que elas existem.
Entre dois que se amam e perpetuaram esse amor, há sempre um punhal, preparado para sua única função.
Da janela do meu quarto eu gritava pelo afago de um Deus, ou um copo de cachaça.
Não se preocupe com a morte ela é tão vulgar, que sempre leva primeiro crianças, negros, gays, pobres e mulheres.
Meus mais de mil livros não suporto mais, meus discos também, até o espelho de meu quarto quebrei com uma cuspida violenta.
Se eu não fosse poeta, o que eu seria? Talvez feliz.
Deus estava decidido a me fazer beber até o fim meu cálice de erros.

No coração da mulher traída habita todos os demônios.
Sou um pássaro de asa quebrada.
Os príncipes também choram?
No meu lindo tumulo quero escrito (não aprendi dizer adeus).
Com as mãos sujas de carvão e cera de vela eu me rendo e declaro aqui que toda família tem putas, cornos, gays, drogados, ladrões, quem vai levanta a mão primeiro, você? Ou eu?
Depois que mataram meu grito, o mundo teria que virar de cabeça para baixo para eu voltar a caber dentro dele.

Ainda não perdi a esperança, a gente nunca perde o que nunca teve.
Sou livre por dentro e por fora, ontem peguei na rua alguém para fuder comigo, acordei a pessoa já havia partido, não me lembro se era homem, travesti, mulher, casal, cross-dressing ou outros.
Depois de me percorrer inteiro me dei o direito de depois de meia noite transar com qualquer coisa que se mova.
Qual é o contrario do contrario da síndrome de estolcomo?

O homem não é outra coisa se não um cadáver robótico feito para tornar o mundo caótico. Não falarei mais de amor, essa palavra histérica nunca teve outro sentido que não fosse ilustrar a minha mais genuína pobreza.

Ontem dei o cu com muita alegria, segundo a bíblia Deus só ama quem da com alegria.

Depois fui para a missa e uma ninfeta talvez virgem fez meu pau ficar duro três vezes. O padre falava, meu pau latejava, o padre falava meu pau latejava, o padre falava meu pau latejava.

Somos tão frágeis que ao ouvir a palavra fim, muito antes do final dela já estamos mortos.

Troco de sexo troco os pronomes, e troco de roupas cem vezes por dia na mais antiga e frustrada tentativa de me localizar no mundo.

Quero gargalhar por cinco minutos, eu começo e você me acompanha, combinado?

Eu sou uma fraude, será que foi por isso que Deus jogou meu pão na chuva? Responda porra.

Meu amor quando você partiu eu sofri tanto, chorei tanto que nem sobrou tempo para lembrar que eu havia o perdido.

Todo cego é nobre.

Para todo rico existe um pote de pobreza a sua espera e para todo pobre existe um pote de riqueza, mas nada disso é cem por cento certo ao passo que Deus joga dados.

Comecei a fumar e escrever aos nove anos de idade na mais inocente tentativa de cativar, seduzir e iluminar a vida, primeiramente a minha própria vida.

Hoje escrevo apenas para regurgitar todo lixo que por pura coincidência ou não a vida me obrigou a engolir.

Ultimamente ando o tempo inteiro engasgado com um nó na garganta que só consigo fazer desce com uísque.

Aprendendo a me contentar com as migalhas que deus derrama em minha boca com suas mãos amputadas para que eu não morra de fome e solidão.

Penso que desaprendi a ser pessoa. É como se um dragão invadisse meu quarto e com sua cauda de fumaça esmagasse toda minha fome de viver.

Quando você é feliz, depois de tudo, o que sobra ai dentro de todo esse maravilhamento? Responda caralho antes que eu te estrangule.

Nunca mais terá a oportunidade de usar as minhas imaculadas palavras para compor seu silencio infernal. Isso é um juramento.

Hoje me dei conta que não faço questão de mais nada e com todo respeito do mundo, nada me interessa nem mesmo ser lido por você. O que não me impede de ser grato se mesmo assim você o fizer.

Não sinta pena de mim, não antes de sentir pena de si mesmo. Antes de me julgar você precisa pegar uma barata viva na mão sem morre do seu mais terrível pavor, seu latente nojo de si mesmo.

Não tenho quem quero e gosto, mas vivo como quero e gosto.

Não quero ser notado, quero ser anônimo e isolado, somente assim conseguirei permanecer do meu lado.

Preservo em mim o dom de olhar todos os dias para a mesma coisa e perceber nela elementos totalmente diferentes.

Odeio tanto o mundo, e com tanto fervor que até consigo bravamente me vingar de mim mesmo com o que sobra desse ódio honrado.

Éramos, não somos mais, ÉRAMOS, essa palavra matou a mim e somente no dia que eu tiver coragem de escrever casa com q de queijo (que por sinal é o único alimento que eu desprezo) terei aprendido a escrever de fato.

Sou feito de infância pisada, maldade enfeitada, tortura alfabetizada e gentileza falsamente construída de feitiço e areia.

Siga sua vida louca regada de veneno e vinho e me deixa seguir a minha vida oca celebrando a morte do que outrora era carinho.

Tenho dinheiro o suficiente para comer goiabada o resto da vida e depois dançar para comemorar a minha tola vitória humana. A única coisa que desejo é encontrar a senha que me permita ser aliado incondicional de minha própria solidão. Sei que posso e consigo vencer a guerra a fome e até a opressão que o mundo com sua colaboração finalmente conseguiu naturalizar.

Agora mesma nesse exato momento estão matando mulheres, bixas, pobres, negros, favelados e sapatão e até a mata e seus bichos inocentes eu nada posso fazer de modo que se quer posso contar contigo que se diz meu irmão.

Só terei paz de fato quando eu aceitar de forma resignada, penitente e carinhosa a minha inevitável solidão sem permitir que ela me engula antes do golpe final.

Os peixes são os bichos que mais se parecem conosco, porque assim como nos estão sempre fugindo de alguma coisa. E assim vamos seguindo refém da idéia de terra prometida, mergulhados na suave fuga adivinhada até o dia em que definitivamente entendermos que a terra prometida nunca foi de fato prometida.

Olho em minha volta vejo centenas de livros espalhado pelo meu apartamento e na parede do meu ser escrevi a palavra éramos e paralisado fico aqui refém dessa minha inesgotável incontinência verbal, tentando e tentando e tentando me lembrar quando e onde perdi de vista a cura do mundo. Ou simplesmente a cura do meu próprio mundo.

Queria pular em um abismo, mas para cima. Será possível um dia?

Que o sol nos retire dos escombros dessa vida raquítica e que possamos gozar junto do vôo mais bonito do mundo, nem que precisemos roubar asas de borboletas mortas.

O apóstolo Paulo tinha um espinho na carne, e eu como posso ter calma se tenho um espinho na alma?

Restou apenas eu, a palavra e a minha tão ilustrada deficiência afetiva.

Nasci com uma leve e doce inclinação para o insano do mundo, gosto de gente fraca, de bebida pirata, e de idéias marginais. 
Sou refém de seres ‘’decadentes’’ porque esses já se deram todos os direitos do mundo, inclusive de amar, com o coração, a pica, o cu a buceta e as palavras.

De que vale a mesa posta se os discípulos estão brigados?

De que vale o mar a frente se o barco está furado?

De que vale ter a senha se o cofre foi roubado?

De que vale o abraço, se o amor está cansado?

Do nada vem na mente a palavra cega e desejosa, tento escrever e acabo me perdendo.

Agora vou fazer aquilo que até a ultima madrugada eu julgava o pior dos pecados.

Talvez eu tenha que acarinhar esse meu ego que deseja a morte dos palhaços!

Sentado nas bermas da estrada, no sol de meio dia, sem saber se aquela felicidade que eu buscava em toda sua nudez era a verdadeira felicidade ou a felicidade adivinhada.

Seu canto é tóxico, estou falando do rapaz que divide apartamento comigo, ele me ensinou a tomar posse do direito de deixar para amanhã, o que posso fazer hoje, ele é poeta, prostituido, ladrão e drogado, como Jean Genet. Quando ele era criança outras crianças enfiaram uma escova de cabelo em seu cu e giraram vinte nove vezes.

 Ontem ele cheirou tanto até Jesus voltar, parece cocaína, mas é dor genuína, acabou morrendo, que Deus o tenha se agüentar.

Odeio crianças demoníacas também fui vitima delas.

Preciso de cigarros, goiabada e livros, somente por isso ainda escrevo. Escrevo para você, me recuso engolir meu próprio vomito.

Freud dizia que todo ser humano é bissexual, mas os astros dizem que somente os librianos são bissexuais.

Existe uma santa, se não me engano é madre Tereza D, Ávila, que em vida toda vez que orava chegava ao orgasmo.

A alegria é remédio para os doentes e não e não premio para os santos essenciais.

Ontem vi dona Vanda que está aqui no Brasil de férias, fiquei impressionado como ela envelheceu, eu estou pior, já passei dos cinqüenta anos e não tenho nada, minhas mãos calejadas de escrever poemas prosaicos, olhos cansados pelas descontinuidades da vida, sem dinheiro e sem mim mesmo.

Há tempos uma menina com 11 anos, drogada e prostituida, pegou seus trapos e seu cachorro nojento e foi morar comigo, levei o barulho do vento, sua maldade e uma tempestade infindável. Tenho medo da policia, de palhaços, de cachorros.

É triste sentir a falta de alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar, morrer e nem viver sem ela . . .
Estou doando a minha senha, mas se quiser venha logo antes que eu volte a ser homem comum explorado pelo perdão alheio.

‘’Seus lábios, seu pau, suas pernas se perdendo entre as minhas, seu peito, seus pelos, seu sorriso amarelo recordando o cigarro de outrora, suas mãos conduzindo a minha mão, os olhos cansados e feridos pelo cotidiano, adoro seu inferno doce e esse seu jeito de quem não sabe ser feliz direito, seu rosto, seu sexo, seu gosto, é sorte, morte é porto. Confesso e me rendo à humilhação eterna de precisar dessa matéria humana clandestina que é você, pedaço de veneno e oração. O cheiro do seu gozo é o meu pilar de localização no mundo e se a vida me condena a seguir que seja para beber seu suor, sua saliva e sua porra’’.

Levantou o SOL do meu coração em pleno inverno, trouxe FLORES, pra minha estação AMOR eterno!

‘’Em meio a espinhos, pedras e lamas, alguém segurou minha mão era você e assim Deus caminhou em meu mundo através de suas palavras

-Me disse um amigo:

‘’Só por ter acontecido já deu certo. Reconcilie em seu coração a chegada e a partida, porque a experiência do desligamento deve ser tão bonita como a experiência do primeiro encontro. Esse sim é um jeito bonito de ser pessoa’’. 

Festas, futebol, bailes, redes sociais, carnaval não é vida, é apenas imitação da vida ou a mais vulgar celebração da solidão coletiva. Viver por viver, sem chorar, sem sonhar, sem sofrer, sem escrever, sem nem se quer sentir as batidas do próprio coração é um caminho perigoso, mas também pode se tornar libertação. Quando dei por mim já era tarde e percebi de modo secreto e porque não dizer particular?!

Que basta um gole de vida verdadeira e o oculto se manifesta em formato de massacre pessoal e eu que sou um rebanho de pensamentos incomunicáveis neles choro, neles moro, neles oro.

Agora eu sei que é sábado ainda que eu já não o tenha em meu corpo. O que mata a gente é o amor, quando ele cai doente, corre, morre ou escorre.

Um dia se eu não for preso antes vou contar ao mundo o que de fato ilustra a minha mais idiossincrática ira.

Olho para o ontem olho para aquilo tudo que foi antes de ontem e alguém me pergunta se foi bom, eu anestesiado de maneira escandalosa de tão anônima mesmo gostando de cavalos marinhos e tendo interesse profundo por eles não soube dizer mais nada além do quase muito que ousei dizer um dia e a minha mudez parada era o que eu tinha e só.

A lucidez é um projeto de loucura que não deu certo e disso tudo sobra à pergunta o que fazer de uma vida toda quando ela vira apenas um retrato empoeirado na gaveta do silencio?

O amor, a vida, o corpo e a morte espraiados no asfalto em pleno meio dia onde o sol é um inferno celebrando a desgraça de uma amizade que não se deu.

Saber-se amado é também uma forma de prisão, ao passo que passar sem ser amado é ser livre de alguma coisa que vem espanta, cega e antes do fim paralisa.

Sempre que se é alguma coisa na mesma hora se é o contrario dessa alguma coisa e ele ‘’segue’’ se tornando vagarosamente tudo que por maldade genuína outrora desprezou.

O sacrifício me interessa tanto que chego a pensar que existe uma riqueza insondável na tolice. Para todo ser humano existe um lote de ouro, fumaça e miséria entendem? Melhor não, entender é também uma maneira de prender alguma coisa. O que agora?

No meio estou eu, de um lado da cama um travesseiro e suas ausências, do outro lado fantasmas, lembranças, e retalhos de uma vida que eu não sei onde acomodar. Hoje descobrir que pensamento também dói e talvez seja a maior de todas as dores, mas também descobrir que podemos chorar por dentro assim ninguém suspeita dos traumas, da agonia e da nossa fraqueza tão imprevisível. A lógica de tudo é esconder do mundo a luta diária que travamos para ser quem somos seguir sorrindo e carregando nas costas tantas pedras, sonhos abortados e o rascunho de uma vida inteira. Ontem antes de adormecer lembrei-me de que não havia chorado, resignado e penitente, levantei da cama e um temporal se fez dentro de mim, chorei por dentro e saboreei com a ponta da língua o doce de cada lagrima rolada porque aquelas sim desconheciam o fim, nelas havia apenas começo, meio e só.

Chego a duvidar da bondade de Deus e acho cruel ter que carregar por uma vida inteira, o mesmo corpo, a mesma história, o mesmo nome sem direito a férias nem pausas. Um analista amigo meu me disse que o medo maior dos homens é de ser rejeitado, Freud dizia que o maior medo do homem é o da morte. O meu maior medo de do fim das coisas, carrego comigo esse atraso de nascença, tudo acaba e eu não, eu fico ali, parado patético, em profundo estado de demência.

 Descontinuar é morte para mim, mas eu continuo, sem continuar eu continuo.

Estou tentando me desligar das regras, da gramática da pontuação. É uma forma de soltar o mundo ao meu modo para conhecer de perto o nada, a garantia que sempre busquei, vem do nada, ele nunca acaba, nele não cabe ponto final. Muitas vezes sinto medo e pena de acordar, porque o simples fato de escovar os dentes, tomar café matinal, fumar o primeiro cigarro do dia me devolve a sintonia com um mundo no qual que nunca soube habitar. Eu ando pelas ruas prestando atenção em tudo com um olhar carinhoso até, mas vejo pessoas e são muitas que já morreram e nem sabem,são como rosa apodrecida no talo, sem força para cair de vez, eu vejo bichos, plantas, anúncios, carros e me sinto um turista nesse mundo, embriagado de lucidez e medo, sou um estrangeiro em meio a tudo de lindo que a no mundo. Eu giro em torno de pessoas e coisas quase vivas, sinto vontade de voltar para casa, mas eis que em meio a esse estranhamento mudo e paralisante encontro um conforto que me aprisiona. Eles querem tudo, eu já não quero nada, eles passaram, eu não passei e isso é o pior castigo para uma alma que não sabe viver entre o céu e a terra sem sofrer porque as flores morrem os rios secam e que no fundo acha uma tolice a tarde apagar o sol, ainda que seja para a noite acender as estrelas.

Ainda continuo sem saber por que estou escrevendo tudo isso, mas uma coisa é certa: a palavra permite travessias e seu chegar a algum lugar eu te aviso meu amigo, e se não gostar do que

 escrevi, peço desculpas pelo transtorno estou em obras. Queria aprender a gerenciar tantos sentimentos ao mesmo tempo,queria sentar no colo maternal do mundo, chorar por tudo que se perdeu, por eu ter me perdido sem precisar dar explicações.Cada dia sei menos de mim.Já fui pranto, já fui canto, já fui tanto que prefiro esquecer.Quanto mais olho para mim puro de amor inocente mais a distancia aumenta e mais ainda me desconheço. Pai nosso que estais no céu santificado seja teu nome, venha anos o vosso reino e seja feita somente tua vontade assim na terra como no céu .Porque tornastes meu coração morada derradeira de tantas contradições?

Se eu um dia puder através da minha imaterial esperança transformar a solidão em matéria de salvação será a gloria e também a conquista maior de toda uma vida que aos poucos se perde imersa na mais legitima perdição. Dedicarei o resto dos meus dias, horas e segundo para transformá-la em combustível, condição e, sobretudo força antes que ela devore a minha pureza já estupidificada com seus impiedosos lábios de navalha. Estou falando da solidão.

 E Cristo que nos entenda.

Príncipe Marlon

 


teatro

TE DESEJO

 




Todo sentimento diabólico nasce da falta de esperança.

Amo tanto meus filhos e sou triste porque eles não nasceram da minha barriga.

Aos pombos dou milhos, amor, somente aos meus filhos.

Minha alegria pirateada me traz a duvida se sou uma mulher elegante, ou um frágil cavalo marinho.

 

O verdadeiro amor é apenas aquele que nasce do ventre do sol, como a rosa branca que outrora me deram, a claridade e a escuridão em minhas mãos.

 

Fui amado por caridade e usado cruelmente por amor, não me refiro a Clara e nem a Diego, estou falando do meu maior segredo.

 

Em matéria de morte somos seduzidos a galopes. Estou diante de um palácio e não consigo da um passo, de modo que todas as estradas que nos levam para o quinto dos infernos estão sempre muito bem asfaltadas.

O que mais tem lá são rostinhos lindos como o meu, estou falando da rua da amargura, mas ela também nos cura da agrura, anjos e dragões é uma coisa só, independentemente das tempestades, do vento e do sol.

 

Clara saiu cedo foi orar na assembleia de Deus, depois certamente vai para o copan da o cu para o drogado que vende flores e divide um espaço menor do que meu banheiro com um cachorro nojento. Se ele soubesse quantos ela já matou de desgosto, tomaria nojo do seu rosto.

 

Desde os onze anos ela mora comigo, ainda trouxe um cachorro nojento que logo morreu.

Através da dança, sexo e gloria um dia mato estrangulada nossa imoral historia, dona Clara Maria da Gloria.

 

Inocência, indecência, centenas de acontecencias, me revela que domingo é o dia ideal para morrer, a noiva de Rosália acordou cedo e foi comprar pão para o café da manha, na volta resolveu se matar e se jogou de um viaduto, pulou sorridente como se estivesse parindo seu próprio voo, era domingo, cinco dias antes do casamento delas.

 

Fui à igreja e paguei um padre para rezar uma missa pela salvação da alma de Leonardo Pareja, meu Deus que homem lindo passou uma vida gastando sua apaixonante beleza tocando violão e assaltando postos de gasolina, a policia o matou, como mata todo mundo, o próximo talvez seja eu, ou você.

 

Enquanto a missa acontecia, bastava fechar os olhos e eu sentia o cheiro do gozo de Leonardo, mesmo sem nunca ter tocado em seu corpo e só o conhecia pela televisão. Até hoje não são poucas as vezes que sinto desejo de beber Leonardo, entendeu?

 

No final da missa paguei o jovem padre para comer seu cu branquinho com pelos finíssimos, não usei camisinha, se nem Deus pode me deter, porque eu temeria uma DST?

 

Meu gozo se derrama nas bermas da estrada, histericamente inundada de cinismo.

 

O jornal onde hoje fui matéria de capa pela quinta vez pelo simples fato de falar de cu, buceta, pica, coração e palavras como se eu estivesse falando da hóstia consagrada, não altera minha vida em nada, de modo que o jornal de hoje é feito apenas para embrulhar peixe na feira de amanhã.

 

Se Clara sempre confunde liberdade com estado civil, porque não posso guardar para sempre os segredos dos meus mais de cem peixes?

 

No meio da missa sai para fumar um pouco de cigarro e câncer, lá fora encontrei um macho gostoso fumando sem culpas. Começamos a conversar e alguém passou e pediu um cigarro, ele respondeu de modo grosseiro, o que causa câncer é fumar, comprar não causa câncer. O jovem nada respondeu e se foi vitimado pela matéria do seu silencio.

 

Cotei para o macho que fumava comigo, que os peixes já riram de mim, no passado do mundo, inclusive os meus, apenas porque como goiabada todos os dias.

 

Não luto para vencer, a vida já me contou que perdi, luto apenas para bancar meu oficio de ser fiel até meu ultimo suspiro, disse o santo padre Júlio Lancellote, só ele ainda se importa com os pobres e oprimidos, mais ninguém, nem eu outrora suspeito.

 

Homens odeiam , mulheres, bichos, gays , gordos,idosos,pretos e pobres, nem eu que sou legalmente um príncipe eles respeitam.

 

Com o pau duro dentro da cueca corro pelas estradas para tentar inutilmente fugir da solidão com vista para o nada.

 

Hoje o domingo durou cem anos, dormi a tarde inteira e sonhei, que acordava sendo Deus e acabava em segundos com todas as comidas congeladas, com todos os evangélicos, os bancos, as redes diabolicamente sociais ,partidos políticos, psicologia e suas inutilidades, o cigarro em minha mão testemunhava meu talento em ser Deus.

 

Atormentado acordei e percebi que havia caído idiotizado em uma armadilha, orquestrada matematicamente pelo meu mais genuíno medo, pela primeira vez eu percebi que pior do que não poder matar, é não poder morrer.

Ainda sonâmbulo acabei morrendo no laboratório do inferno.

 

Cada dia mais pessoas me odeiam e em mim algum mecanismo que desconheço gosta disso.

 

Outro dia comprei vários alimentos e matei a fome de vários andarilhos do centro da cidade, atitude tão inútil, como ficar onze dias observando paredes para tentar decifrar suas idades. Entender e paredes são uma coisa só o poeta me contou. Salve Manoel de Barros e suas inutilezas.

 

Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira.

 

 

Meus inimigos querem minhas mãos, meus filhos todos querem pão, o copo já está cheio e continuo sem entender porque os moradores do copan, sempre divide um espaço menor do que meu banheiro com um cachorro imundo.

 

O homem prosaico, portador de falsa ataraxia, morador do contrario da luz me deu a chave, mas não me contou qual das portas ela abria, então por pura intuição, abri a porta da vingança, e assim me salvei da minha paralisia disfarçada de movimentos.

 

O copo já está cheio e a caverna também é parede, por isso todas as minhas palavras merecem um velório notável.

Para você que ainda paga caro para ler minha verborragia hermética que todos chamam de profissão, receba minha gratidão, mas também receba o que de fato te deseja

meu coração , quer saber? Foda-se.

 

Mais uma vez estou diante de um palácio. Agora tudo mudou ,  não posso mais entrar ,ao passo que me encontro totalmente gravido, de fumaça, carvão e tolice.

 

E o capeta que nos entenda!

 

PRÍNCIPE MARLON





segunda-feira, 13 de maio de 2024

TREZE TÍTULOS

 



Não estou falando do sentimento, até então desconhecido, que só agora já perto dos quarenta anos a vida da pior forma, a vida me apresentou em novembro.

Estou falando do quanto é difícil ser novembro, maldito novembro, se dependesse de mim, novembro nunca mais nasceria.

Não estou falando de outubro que sempre desprezei, estou falando de novembro que um dia minhas  acontecencias infantilizadas acreditava ser belo.

Não estou falando sobre a mesa posta daqueles que tem o café da manhã, a faca a goiabada e o queijo (odeio queijo).

Estou falando dos nobres idiotizados em suas próprias limitações psíquicas, que gritão histericamente que a favela venceu, para nos iludir, nos enganar e nos calar, ao passo que nunca entraram na favela para levar um panetone de goiabada, muito menos uma cesta básica.

Não estou falando da vitória adivinhada, falo apenas que desde Cabral não há vencedores, somente perdedores. A julgar por você ou por mim, ou por todos aqueles em que a derrota chegou a galopes.

Não estou falando sobre o poeta Manoel de Barros, que somente ele conseguia decifrar o silencio dos pássaros e desse silencio ele criava orquestra para assobios, ele dedicou toda sua vida para as inutilidades.

Estou falando do menino Henry, que foi cruelmente assassinado pelo padrasto e pela mãe que durante o velório, abandonou todos e foi para o salão embelezar os cabelos, a pele e as unhas, para ficar ainda mais bela. Eu juro que tento, tento, tento, tento, mas essa historia nunca se acomodou dentro de mim, eu também fui Henry, uma vez Henry para sempre Henry.

Não estou falando dos analfabetos que soltam fogos, porque seu time ganhou, deixando crianças deficientes em pânico, chorando, assustada como ficava minha irmã sem entender nada daquele barulho causado por imbecis que deveriam pedir autógrafos aos professores e não aos inúteis jogadores de futebol.

Não estou falando daqueles que conseguem passar o dia inteiro, sem ler, escrever ou ouvir uma poesia.

Estou falando daqueles que estão sempre tão ocupados que não conseguem parar cinco minutos para alimentar um mendigo.

Não estou falando do nordeste brasileiro que transformou com sua incontestável força um ex- presidiário em presidente da republica.

Estou falando dos vermes que outrora votaram, elegeram e aplaudiram a opressão.

Não estou falando do rei do futebol, e seus mais de mil gols, estou falando de sua filha que ele rejeitou por ser negra e morreu agonizando e implorando por seu abraço em um hospital porco. O TELEFONE NÃO TOCOU, essa foi a ultima frase de Sandra Regina minutos antes de morrer.

Goleador maldito, que o diabo o tenha, se aguentar.

Não estou falando dos inúmeros banquetes deixados nas encruzilhadas, por praticantes de religiões de matrizes africanas.

Estou falando de milhões de crianças pobres que morrem de fome no mundo o tempo inteiro. Quem sente mais fome, entidades espirituais, ou crianças pobres?

Não estou falando sobre o skate que meu amado padrinho me deu quando completei oito anos de idade, foi à única alegria que tive na vida, mas um homem mal, que tem nome e infelizmente ainda vida o destruiu, apenas pelo prazer de gargalhar em razão da minha dor.

Agora falo somente de um acidente que aconteceu: minha visibilidade acabou de ser atropelada pela lagrima rolada.

Não estou falando do quanto chorei, ontem e no próximo ano, estou falando do desejo de fazer a mulher amada sorrir e sempre falhar, seu sorriso minha única matéria de salvação, mas não  o acho então choro, me agacho e fico dois séculos no chão com o corpo inundado de lagrimas e ausências, ela desaprendeu a voltar, logo eu desaprendi a viver.

Não estou falando de Elise Matsunaga, estou falando sobre todos os demônios que habitam o coração da mulher traída.

Atividade física faz bem para o corpo e para a alma, não estou falando das academias lotadas, falo apenas das bibliotecas cada dia mais vazias.

Não estou falando sobre Diego, estou falando sobre a obsessão que todos os garotos de programas têm por cuecas vermelhas, todas marcadas pelas digitais de pessoas invulgar como eu ou como você.

Não estou falando do quanto eles chorão e sofrem sozinhos vitimados pelo eterno vazio.

Estou falando de todos aqueles que agonizam, na infértil, infernal e barulhenta solidão coletiva.

Não estou falando de que vivem de migalhas pornoafeivas,estou falando daqueles, que ainda não sabe, que quem não deixa passar , não passa.

Não estou falando de Clara, ela só conseguia amar com o cu, o coração, a buceta e as palavras, estou falando do destino dos finais que acabou a levando a morte.

Não estou falando das vezes que me chamou de meu bem, estou falando que na verdade sou seu mau, porque bem a gente não abandona no meio do caminho como se fosse um sapato velho, eu sou definitivamente seu mau.

Não estou falando de dinheiro, sucesso, fama, prestígio, estou falando sobre brilhar que para mim, consiste na capacidade singular de iluminar caminhos, infelizmente você entendeu isso tarde demais.

Não estou falando de Matilde Campilho, nem de sua capacidade imaterial de segurar um revolver, estou falando somente da importância de sempre agir em verdade.

Não estou falando do talento inquestionável de Elis Regina, estou falando de como nossos pais deram a ela fama, dinheiro, sucesso e visibilidade mundial,  a transformando na maior de todas, quando antes ela era considerada uma simples e boa cantora como muitas outras da época,estou falando do maior poeta da musica popular brasileira de todos os tempos, Belchior autor de COMO NOSSOS PAIS, morreu na miséria, sem ajuda de ninguém, nem para comer.

Não estou falando sobre seu abraço, estou falando do meu coração, totalmente retalhado pela vida e suas esporas de aço.

Não estou falando de Chico Xavier e seu coração de mel, estou falando de Nelson Rodrigues e suas putinhas sedentas de gozo na garganta.

 Não estou falando sobre o sofisticado existencialismo francês, estou falando de Reginaldo Rossi e da falta que ele me faz.

Não estou falando sobre a insustentável leveza do ser, como disse em seu livro Milan Kundera, dissertando lindamente o tema, estou falando do imaterial peso do não ter.

Não estou falando do meu trono de PRÍNCIPE, estou falando que existem algumas guerras que podem facilmente serem vencidas simplesmente sendo abandonadas.

Não estou falando do meu mais terrível medo, que só a matemática ouve, estou falando sobre os homens lindos de terno e gravatas que não conseguem entender que criança não é brinquedo de adultos.

Não estou falando da necessidade de aprender, estou falando de como é difícil e dolorido desaprender.

Não estou falando do que por vicio e covardia se encontram em cima do muro, estou falando daqueles, que só eles sabem, que ponte é melhor do que muros, porque elas nos permitem travessias, muros nunca.

Não estou falando sobre as interrogações irreversíveis, estou falando apenas das centenas de vezes que tive as respostas e ninguém fez as perguntas, nem mesmo você suspeito.

Não estou falando das quatorze crianças que

torturaram Gisberta durante mais de quarenta e oito horas até sua morte em Portugal, estou falando do poema(BALADA DE GISBERTA) feito pelo poeta Pedro Abrunhosa, musicado no Brasil por Maria Bethania, estou falando que seu nome Gisberta sempre encontrará morada em minha boca, enquanto eu viver.Ninguém foi punido, o juiz disse que tudo não passou de brincadeiras de crianças, assim como meu pai, esses monstros disfarçados de crianças, nasceram do imundo ventre de baratas mortas. 

Não estou falando  da crueldade de matar mineirinho com treze balas , quando uma só bastava, isso mesmo quem matou mineirinho não foi a policia foi Clarice, estou falando do taxi que não para negros, travestis e favelados, enquanto a viatura para o tempo inteiro.

Não é sobre a cura do HIV, estou falando do rapaz de alma do mal, que matou cruelmente Brenda Lee, apenas porque ela oferecia, remédio, alimentos e abrigo para soropositivos abandonados pela família.

Não estou falando do purgatório, por que basta um passo em direção de mim mesmo e estarei diante de um império, estou afirmando que Caio Fernando tem razão quando diz que OS DRAGÕES NÃO CONHECEM O PARAISO.

Adélia Prado é a maior escritora viva do Brasil, mas não quero falar sobre a doçura de sua arte, quero apenas ilustrar meu mais genuíno ódio , quando depois de lutar tanto para chegar perto dela , foi tudo inútil, eu queria saber apenas quem era Jonathan, seu objeto de obsessão e ela nitidamente não gostou da pergunta, logo respondeu, ele é fato poético, hora onde tudo mais desse a sua devida desimportância, ela nunca vai revelar de modo que nunca saberemos.

Não estou falando de perdão, devido a minha má sorte humildade definitivamente não é meu forte, Estou falando que apesar de toda crueldade sofrida , meu pai nunca desistiu do dele, eu desistir do meu e não me arrependo, não aprendi a conviver com seres cruéis e seus impiedosos  lábios de navalha.

Não estou falando da infalível lei do retorno, que sempre vem a galopes como as ventanias, estou falando de algo que acabei de desistir de dizer. . .

Príncipe Marlon