terça-feira, 24 de setembro de 2019

Latindo



Estou tão atrasado, que nem tenho tempo de explicar.
Drogas e dor são iguais. . .
Quero pelo menos experimentar ainda que seja como sobremesa aquilo que os outros chamam de felicidade.
Não podemos retornar ao útero, mesmo quando às vezes tudo é infernal.
Hoje o dia não foi ruim, chorei , mas foi por hábito. Do nada me veio à sensação de não pertencer a esse mundo, me sinto e é uma brisa de sensação legítima de que sou apenas um casarão abandonado.
Saber-se quem é pode ser libertador, mas ainda tenho muitos medos . . .
Antes quando criança, eu desconfiava que somente a poesia pudesse mudar o mundo, hoje com cinqüenta e cinco tenho certeza, a poesia é a única chave que liberta a alma presa.
Todo mundo que tem coração de príncipe e a alma retalhada precisa de poesia o dia inteiro, é uma questão de vida ou morte. De modo que peço diga ao povo que vivo.
Jogaram-me aqui, sem manual de sobrevivência, sem senha, sem guia.
Eu acredito no amor, vou morrer acreditando, porque nascemos com um coração e morremos com o mesmo.
Minha alma raquítica e cérebro afetivo infantilizado nunca conseguiram entender outro caminho.
É tudo tão arriscado, me deram migalhas envenenadas de afeto e eu que sempre fui sedento pelo verdadeiro amor, fui com ele até sua terceira margem, voltei de pés descalços e espinhos na carne.
Conhecer o caminho de volta não é garantia de felicidade.
Agora preciso pagar o aluguel e o meu pedágio por cada dia de vida.
Quero dizer mais do que a vida me permitiu viver , mas tenho medo de minha mudez e vendavais .
Liturgia é a passagem de Deus por nós, desejo que um dia ele fique.Afinal Deus é amor?
Marlon Príncipe

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