Surpresa

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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O Gosto do sexo sem rosto - Book Trailer (+18 )

TOLA VITÓRIA HUMANA( Será adaptado para o teatro em 2021) Alegria!

 

Pagamos para nascer, pagamos para morrer, pagar, pagar e pagar será mesmo que a vida é só isso?

 Sinto-me Cansado, cansado, cansado, cansado, cansado de pagar boquete, pagar promessas, pagar contas e pagar pedágio por cada dia de vida.

Sou fumante e por isso nunca mais vou te visitar, não quero matar de câncer às paredes do seu lindo triplex.

No mundo não tem espaço para eu estacionar meu carro, meu amor e meu ser molhado de chuva falsamente redentora.

Bebo uísque na busca de fé, esperança e amor, embora eu saiba que enquanto houver uísque haverá também fé, esperança e a dor.

Dispenso a gramática a ortografia e vou seguir daqui para frente apenas a idéia.

A vida é apenas um truque que a morte usa para atravessar gerações.

Éramos pipoca com leite condensado, brigadeiros, guerra de travesseiros. Éramos dois, três, tantos agora sobrou apenas eu e minhas circunstâncias.

Se eu invento livros, bolos e gente, quem me garante que também não estou inventando tudo isso?

Não sei se bato palmas ou acendo uma vela. Sábado eu vou à rua: Augusta em busca de drogas, parafilias, e DST, s. O que mais me deprime na Augusta é quando os tatuados resolvem contar o significado das tatuagens.

Fui jogado aqui a esmo, ninguém me explica nada.

Voei pendurado nas asas de um pássaro de fogo, apenas para fugir do meu mundo brutal e sem sal.

É verdade que depois do começo, tudo que vier vai começar a ser o fim?

Cachorro é nojento, e o poeta nos ensina a resignação fingida, mas suas ,roupas intimas, sou eu quem lavo.

Em São Paulo com mil reais vocês comem o cu de quem quiser, se for na rua augusta então basta cem. Dinheiro na mão, cueca no chão. Essa é a lei.

 Cortaram minha água, minha luz e a cada dia fica mais difícil pagar o aluguel, acho que vou precisar vender os livros, ou a alma, ou o corpo sem jovialidade.

Retalhos de sentimentos costurados no tecido do meu corpo.

Deus criou Jesus, Maria e o espírito santo, mas me diga de uma vez por todas antes que eu coloque fogo nesse apartamento quem criou Deus? 

Andei um pouco pela rua augusta, antes de sair perguntei a meu porteiro, para onde vamos quando morremos, ele disse vou pensar, voltando da rua te respondo.
Na rua augusta vi um monte de gente triste, sem brilho nos olhos.
Penso que a multidão de gente triste e pequena que vi, pode ser eu apenas eu desolado pela vida que me negou um banho de luz para que eu pudesse ir ao encontro do Deus.
Andando sem rumo, de repente me vi cheio de amor e caridade para comigo e todas aquelas pessoas.
Ainda tenho esperança, mas continuar sem fé é um convite irresistível para o suicídio. Cada palavra escrita é um suicídio adiado.
O peito de repente é invadido pelo lado mais macabro do amor, se é que o amor tem outro lado.  O amor matou todos os símbolos que me emprestavam asas. Logo as velas que havia em meu coração se apagaram e me dei o direito ao pranto.
O coração sangra e a alma chora.
Choro por amor todos os dias, porque seu começo e seu fim estão costurados no mesmo tecido.
Você já chorou por amor?

 A minha volta tudo tão sujo, desorganizado e velho assim como meu coração que te escreve fadado a nunca saber o por que.
Eu, não tenho família, amores e odeio cachorros, mas tenho um pouco de grana para sobreviver e comer umas putas com o que sobra.
Você já morreu de amor? Odeio a sua mudez.
Senhor, senhor está cada vez mais difícil escrever, mas mesmo assim vou tentar continuar, de modo, que não escrevo por prazer, apenas para evitar a crise de abstinência.
Você já matou por amor? Se não, saiba que nunca é tarde.
Às vezes no escuro do meu quarto eu penso em Daniela, ela me lambia inteiro antes de dormir, como gatinho bebendo leite no pires. Era exatamente igual. Mas nada daquilo era amor e no ano passado ela morreu em um desastre de avião. Bem feito, ela vivia confundindo liberdade com estado civil. Confesso muitas vezes sinto um aperto no peito, penso que é saudade do balé do seu corpo em minhas digitais.
Nada daquilo era amor, ela se foi e deixou seu cheiro de ternura e carinho apodrecido.
Faço força para manter meu coração ativo.

Passei em um bar e entre um bilhar e outro uma mocinha chupou meu pau no banheiro e eu gozei em sua boca e ela engoliu tudo. Eu não quis saber sua idade, sua cidade, nada dela me interessava mais.
Eu estava com um raciocínio ótimo, comecei a escrever e tudo virou uma bosta.
Voltei para casa, na augusta não tem sol e isso me mata.
Voltando perguntei novamente ao porteiro, para onde vamos quando morremos, ele disse para o cemitério.
Sabia que você pode morrer hoje ou amanhã? Eu estou me preparando para o sopro final, e você?Penso que não porque se assim fosse, o mundo seria bem mais colorido e menos dolorido.
Ao entrar no meu quarto tinha garrafas de uísque vazias, pontas de cigarros espalhado por todos os cantos e um cheiro de maconha insuportável.
Vesti minha roupa de príncipe, acendi uma vela para santa Clara, sentei ao lado da vela e pensei: talvez eu tenha sido amado, ou eu tinha alguma coisa que por egoísmo elas precisassem.
Nunca, nunca, nunca fui amado da maneira que necessito ser amado.
Levantei peguei um pedaço de carvão que estava dentro de um copo virgem, para trazer boas noticias e com o carvão eu escrevi na parede: Amor é mentira.
Essa era a minha vingança contra um Deus todo poderoso e meu destino pavoroso.
A luz de vela na poltrona velha perto da cama estava lá o inimigo de Deus. Ele logo estendeu as mãos para mim.
Mas o que afinal ele queria de mim?
Para onde ele me levaria, pois nunca tive interesse pelo inferno e o paraíso, ele não tinha a senha.
Caminhei em sua direção e logo a vela se apagou sozinha, novamente acendi a vela, mas ele já tinha partido ou meu pensamento infeccionado inventou tudo isso.
Deus foi brutal comigo, não me permitiu revelas para o mundo que meu coração é o quintal de minha casa.
Deus roubou todas as minhas dezenas de amores, e como se não bastasse abortou meu canto mais bonito, ainda na maternidade.
Nada nesse mundo é mais afrodisíaco do que um ser inteligente. O poeta me contou.

No ano passado fui a uma danceteria na Alemanha e tocaram Canto de areia- Clara Nunes. Dancei , dancei, dancei totalmente entregue a uma alegria quase suicida. Vamos dançar?
O que nos mantém vivos é a certeza e a liberdade de colocar fogo no circo, e não precisar conviver com a fumaça.
Eu sou um vendedor de dores, de modo que sou apaixonado pela vida e pela morte com igual fervor.
Solidão é tristeza em Braille.
Não acredito em bruxas, mas sei que elas existem.
Entre dois que se amam e perpetuaram esse amor, há sempre um punhal, preparado para sua única função.
Da janela do meu quarto eu gritava pelo afago de um Deus, ou um copo de cachaça.
Não se preocupe com a morte ela é tão vulgar, que sempre leva primeiro crianças, negros, gays, pobres e mulheres.
Meus mais de mil livros não suporto mais, meus discos também, até o espelho de meu quarto quebrei com uma cuspida violenta.
Se eu não fosse poeta, o que eu seria? Talvez feliz.
Deus estava decidido a me fazer beber até o fim meu cálice de erros.

No coração da mulher traída habita todos os demônios.
Sou um pássaro de asa quebrada.
Os príncipes também choram?
No meu lindo tumulo quero escrito (não aprendi dizer adeus).
Com as mãos sujas de carvão e cera de vela eu me rendo e declaro aqui que toda família tem putas, cornos, gays, drogados, ladrões, quem vai levanta a mão primeiro, você? Ou eu?
Depois que mataram meu grito, o mundo teria que virar de cabeça para baixo para eu voltar a caber dentro dele.

Ainda não perdi a esperança, a gente nunca perde o que nunca teve.
Sou livre por dentro e por fora, ontem peguei na rua alguém para fuder comigo, acordei a pessoa já havia partido, não me lembro se era homem, travesti, mulher, casal, cross-dressing ou outros.
Depois de me percorrer inteiro me dei o direito de depois de meia noite transar com qualquer coisa que se mova.
Qual é o contrario do contrario da síndrome de estolcomo?

O homem não é outra coisa se não um cadáver robótico feito para tornar o mundo caótico. Não falarei mais de amor, essa palavra histérica nunca teve outro sentido que não fosse ilustrar a minha mais genuína pobreza.

Ontem dei o cu com muita alegria, segundo a bíblia Deus só ama quem da com alegria.

Depois fui para a missa e uma ninfeta talvez virgem fez meu pau ficar duro três vezes. O padre falava, meu pau latejava, o padre falava meu pau latejava, o padre falava meu pau latejava.

Somos tão frágeis que ao ouvir a palavra fim, muito antes do final dela já estamos mortos.

Troco de sexo troco os pronomes, e troco de roupas cem vezes por dia na mais antiga e frustrada tentativa de me localizar no mundo.

Quero gargalhar por cinco minutos, eu começo e você me acompanha, combinado?

Eu sou uma fraude, será que foi por isso que Deus jogou meu pão na chuva? Responda porra.

Meu amor quando você partiu eu sofri tanto, chorei tanto que nem sobrou tempo para lembrar que eu havia o perdido.

Todo cego é nobre.

Para todo rico existe um pote de pobreza a sua espera e para todo pobre existe um pote de riqueza, mas nada disso é cem por cento certo ao passo que Deus joga dados.

Comecei a fumar e escrever aos nove anos de idade na mais inocente tentativa de cativar, seduzir e iluminar a vida, primeiramente a minha própria vida.

Hoje escrevo apenas para regurgitar todo lixo que por pura coincidência ou não a vida me obrigou a engolir.

Ultimamente ando o tempo inteiro engasgado com um nó na garganta que só consigo fazer desce com uísque.

Aprendendo a me contentar com as migalhas que deus derrama em minha boca com suas mãos amputadas para que eu não morra de fome e solidão.

Penso que desaprendi a ser pessoa. É como se um dragão invadisse meu quarto e com sua cauda de fumaça esmagasse toda minha fome de viver.

Quando você é feliz, depois de tudo, o que sobra ai dentro de todo esse maravilhamento? Responda caralho antes que eu te estrangule.

Nunca mais terá a oportunidade de usar as minhas imaculadas palavras para compor seu silencio infernal. Isso é um juramento.

Hoje me dei conta que não faço questão de mais nada e com todo respeito do mundo, nada me interessa nem mesmo ser lido por você. O que não me impede de ser grato se mesmo assim você o fizer.

Não sinta pena de mim, não antes de sentir pena de si mesmo. Antes de me julgar você precisa pegar uma barata viva na mão sem morre do seu mais terrível pavor, seu latente nojo de si mesmo.

Não tenho quem quero e gosto, mas vivo como quero e gosto.

Não quero ser notado, quero ser anônimo e isolado, somente assim conseguirei permanecer do meu lado.

Preservo em mim o dom de olhar todos os dias para a mesma coisa e perceber nela elementos totalmente diferentes.

Odeio tanto o mundo, e com tanto fervor que até consigo bravamente me vingar de mim mesmo com o que sobra desse ódio honrado.

Éramos, não somos mais, ÉRAMOS, essa palavra matou a mim e somente no dia que eu tiver coragem de escrever casa com q de queijo (que por sinal é o único alimento que eu desprezo) terei aprendido a escrever de fato.

Sou feito de infância pisada, maldade enfeitada, tortura alfabetizada e gentileza falsamente construída de feitiço e areia.

Siga sua vida louca regada de veneno e vinho e me deixa seguir a minha vida oca celebrando a morte do que outrora era carinho.

Tenho dinheiro o suficiente para comer goiabada o resto da vida e depois dançar para comemorar a minha tola vitória humana. A única coisa que desejo é encontrar a senha que me permita ser aliado incondicional de minha própria solidão. Sei que posso e consigo vencer a guerra a fome e até a opressão que o mundo com sua colaboração finalmente conseguiu naturalizar.

Agora mesma nesse exato momento estão matando mulheres, bixas, pobres, negros, favelados e sapatão e até a mata e seus bichos inocentes eu nada posso fazer de modo que se quer posso contar contigo que se diz meu irmão.

Só terei paz de fato quando eu aceitar de forma resignada, penitente e carinhosa a minha inevitável solidão sem permitir que ela me engula antes do golpe final.

Os peixes são os bichos que mais se parecem conosco, porque assim como nos estão sempre fugindo de alguma coisa. E assim vamos seguindo refém da idéia de terra prometida, mergulhados na suave fuga adivinhada até o dia em que definitivamente entendermos que a terra prometida nunca foi de fato prometida.

Olho em minha volta vejo centenas de livros espalhado pelo meu apartamento e na parede do meu ser escrevi a palavra éramos e paralisado fico aqui refém dessa minha inesgotável incontinência verbal, tentando e tentando e tentando me lembrar quando e onde perdi de vista a cura do mundo. Ou simplesmente a cura do meu próprio mundo.

Queria pular em um abismo, mas para cima. Será possível um dia?

Que o sol nos retire dos escombros dessa vida raquítica e que possamos gozar junto do vôo mais bonito do mundo, nem que precisemos roubar asas de borboletas mortas.

O apóstolo Paulo tinha um espinho na carne, e eu como posso ter calma se tenho um espinho na alma?

Restou apenas eu, a palavra e a minha tão ilustrada deficiência afetiva.

Nasci com uma leve e doce inclinação para o insano do mundo, gosto de gente fraca, de bebida pirata, e de idéias marginais. 
Sou refém de seres ‘’decadentes’’ porque esses já se deram todos os direitos do mundo, inclusive de amar, com o coração, a pica, o cu a buceta e as palavras.

De que vale a mesa posta se os discípulos estão brigados?

De que vale o mar a frente se o barco está furado?

De que vale ter a senha se o cofre foi roubado?

De que vale o abraço, se o amor está cansado?

Do nada vem na mente a palavra cega e desejosa, tento escrever e acabo me perdendo.

Agora vou fazer aquilo que até a ultima madrugada eu julgava o pior dos pecados.

Talvez eu tenha que acarinhar esse meu ego que deseja a morte dos palhaços!

Sentado nas bermas da estrada, no sol de meio dia, sem saber se aquela felicidade que eu buscava em toda sua nudez era a verdadeira felicidade ou a felicidade adivinhada.

Seu canto é tóxico, estou falando do rapaz que divide apartamento comigo, ele me ensinou a tomar posse do direito de deixar para amanhã, o que posso fazer hoje, ele é poeta, prostituido, ladrão e drogado, como Jean Genet. Quando ele era criança outras crianças enfiaram uma escova de cabelo em seu cu e giraram vinte nove vezes.

 Ontem ele cheirou tanto até Jesus voltar, parece cocaína, mas é dor genuína, acabou morrendo, que Deus o tenha se agüentar.

Odeio crianças demoníacas também fui vitima delas.

Preciso de cigarros, goiabada e livros, somente por isso ainda escrevo. Escrevo para você, me recuso engolir meu próprio vomito.

Freud dizia que todo ser humano é bissexual, mas os astros dizem que somente os librianos são bissexuais.

Existe uma santa, se não me engano é madre Tereza D, Ávila, que em vida toda vez que orava chegava ao orgasmo.

A alegria é remédio para os doentes e não e não premio para os santos essenciais.

Ontem vi dona Vanda que está aqui no Brasil de férias, fiquei impressionado como ela envelheceu, eu estou pior, já passei dos cinqüenta anos e não tenho nada, minhas mãos calejadas de escrever poemas prosaicos, olhos cansados pelas descontinuidades da vida, sem dinheiro e sem mim mesmo.

Há tempos uma menina com 11 anos, drogada e prostituida, pegou seus trapos e seu cachorro nojento e foi morar comigo, levei o barulho do vento, sua maldade e uma tempestade infindável. Tenho medo da policia, de palhaços, de cachorros.

É triste sentir a falta de alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar, morrer e nem viver sem ela . . .
Estou doando a minha senha, mas se quiser venha logo antes que eu volte a ser homem comum explorado pelo perdão alheio.

‘’Seus lábios, seu pau, suas pernas se perdendo entre as minhas, seu peito, seus pelos, seu sorriso amarelo recordando o cigarro de outrora, suas mãos conduzindo a minha mão, os olhos cansados e feridos pelo cotidiano, adoro seu inferno doce e esse seu jeito de quem não sabe ser feliz direito, seu rosto, seu sexo, seu gosto, é sorte, morte é porto. Confesso e me rendo à humilhação eterna de precisar dessa matéria humana clandestina que é você, pedaço de veneno e oração. O cheiro do seu gozo é o meu pilar de localização no mundo e se a vida me condena a seguir que seja para beber seu suor, sua saliva e sua porra’’.

Levantou o SOL do meu coração em pleno inverno, trouxe FLORES, pra minha estação AMOR eterno!

‘’Em meio a espinhos, pedras e lamas, alguém segurou minha mão era você e assim Deus caminhou em meu mundo através de suas palavras

-Me disse um amigo:

‘’Só por ter acontecido já deu certo. Reconcilie em seu coração a chegada e a partida, porque a experiência do desligamento deve ser tão bonita como a experiência do primeiro encontro. Esse sim é um jeito bonito de ser pessoa’’. 

Festas, futebol, bailes, redes sociais, carnaval não é vida, é apenas imitação da vida ou a mais vulgar celebração da solidão coletiva. Viver por viver, sem chorar, sem sonhar, sem sofrer, sem escrever, sem nem se quer sentir as batidas do próprio coração é um caminho perigoso, mas também pode se tornar libertação. Quando dei por mim já era tarde e percebi de modo secreto e porque não dizer particular?!

Que basta um gole de vida verdadeira e o oculto se manifesta em formato de massacre pessoal e eu que sou um rebanho de pensamentos incomunicáveis neles choro, neles moro, neles oro.

Agora eu sei que é sábado ainda que eu já não o tenha em meu corpo. O que mata a gente é o amor, quando ele cai doente, corre, morre ou escorre.

Um dia se eu não for preso antes vou contar ao mundo o que de fato ilustra a minha mais idiossincrática ira.

Olho para o ontem olho para aquilo tudo que foi antes de ontem e alguém me pergunta se foi bom, eu anestesiado de maneira escandalosa de tão anônima mesmo gostando de cavalos marinhos e tendo interesse profundo por eles não soube dizer mais nada além do quase muito que ousei dizer um dia e a minha mudez parada era o que eu tinha e só.

A lucidez é um projeto de loucura que não deu certo e disso tudo sobra à pergunta o que fazer de uma vida toda quando ela vira apenas um retrato empoeirado na gaveta do silencio?

O amor, a vida, o corpo e a morte espraiados no asfalto em pleno meio dia onde o sol é um inferno celebrando a desgraça de uma amizade que não se deu.

Saber-se amado é também uma forma de prisão, ao passo que passar sem ser amado é ser livre de alguma coisa que vem espanta, cega e antes do fim paralisa.

Sempre que se é alguma coisa na mesma hora se é o contrario dessa alguma coisa e ele ‘’segue’’ se tornando vagarosamente tudo que por maldade genuína outrora desprezou.

O sacrifício me interessa tanto que chego a pensar que existe uma riqueza insondável na tolice. Para todo ser humano existe um lote de ouro, fumaça e miséria entendem? Melhor não, entender é também uma maneira de prender alguma coisa. O que agora?,

No meio estou eu, de um lado da cama um travesseiro e suas ausências, do outro lado fantasmas, lembranças, e retalhos de uma vida que eu não sei onde acomodar. Hoje descobrir que pensamento também dói e talvez seja a maior de todas as dores, mas também descobrir que podemos chorar por dentro assim ninguém suspeita dos traumas, da agonia e da nossa fraqueza tão imprevisível. A lógica de tudo é esconder do mundo a luta diária que travamos para ser quem somos seguir sorrindo e carregando nas costas tantas pedras, sonhos abortados e o rascunho de uma vida inteira. Ontem antes de adormecer lembrei-me de que não havia chorado, resignado e penitente, levantei da cama e um temporal se fez dentro de mim, chorei por dentro e saboreei com a ponta da língua o doce de cada lagrima rolada porque aquelas sim desconheciam o fim, nelas havia apenas começo, meio e só.

Chego a duvidar da bondade de Deus e acho cruel ter que carregar por uma vida inteira, o mesmo corpo, a mesma história, o mesmo nome sem direito a férias nem pausas. Um analista amigo meu me disse que o medo maior dos homens é de ser rejeitado, Freud dizia que o maior medo do homem é o da morte. O meu maior medo de do fim das coisas, carrego comigo esse atraso de nascença, tudo acaba e eu não, eu fico ali, parado patético, em profundo estado de demência.

 Descontinuar é morte para mim, mas eu continuo, sem continuar eu continuo.

Estou tentando me desligar das regras, da gramática da pontuação. É uma forma de soltar o mundo ao meu modo para conhecer de perto o nada, a garantia que sempre busquei, vem do nada, ele nunca acaba, nele não cabe ponto final. Muitas vezes sinto medo e pena de acordar, porque o simples fato de escovar os dentes, tomar café matinal, fumar o primeiro cigarro do dia me devolve a sintonia com um mundo no qual que nunca soube habitar. Eu ando pelas ruas prestando atenção em tudo com um olhar carinhoso até, mas vejo pessoas e são muitas que já morreram e nem sabem,são como rosa apodrecida no talo, sem força para cair de vez, eu vejo bichos, plantas, anúncios, carros e me sinto um turista nesse mundo, embriagado de lucidez e medo, sou um estrangeiro em meio a tudo de lindo que a no mundo. Eu giro em torno de pessoas e coisas quase vivas, sinto vontade de voltar para casa, mas eis que em meio a esse estranhamento mudo e paralisante encontro um conforto que me aprisiona. Eles querem tudo, eu já não quero nada, eles passaram, eu não passei e isso é o pior castigo para uma alma que não sabe viver entre o céu e a terra sem sofrer porque as flores morrem os rios secam e que no fundo acha uma tolice a tarde apagar o sol, ainda que seja para a noite acender as estrelas.

Ainda continuo sem saber por que estou escrevendo tudo isso, mas uma coisa é certa: a palavra permite travessias e seu chegar a algum lugar eu te aviso meu amigo, e se não gostar do que

 escrevi, peço desculpas pelo transtorno estou em obras. Queria aprender a gerenciar tantos sentimentos ao mesmo tempo,queria sentar no colo maternal do mundo, chorar por tudo que se perdeu, por eu ter me perdido sem precisar dar explicações.Cada dia sei menos de mim.Já fui pranto, já fui canto, já fui tanto que prefiro esquecer.Quanto mais olho para mim puro de amor inocente mais a distancia aumenta e mais ainda me desconheço. Pai nosso que estais no céu santificado seja teu nome, venha anos o vosso reino e seja feita somente tua vontade assim na terra como no céu .Porque tornastes meu coração morada derradeira de tantas contradições?

Se eu um dia puder através da minha imaterial esperança transformar a solidão em matéria de salvação será a gloria e também a conquista maior de toda uma vida que aos poucos se perde imersa na mais legitima perdição. Dedicarei o resto dos meus dias, horas e segundo para transformá-la em combustível, condição e, sobretudo força antes que ela devore a minha pureza já estupidificada com seus impiedosos lábios de navalha. Estou falando da solidão.

 E Cristo que nos entenda.

Príncipe Marlon

 


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Costela com goiabada


 pra começar, escolha um bom pedaço de carne… sem muita gordura, mas como bastante carne! para essa receita usamos uma peça de 1,2k de costela suína.  aí é marinar a carne com a seguinte mistura: 2 colheres de sopa de catchup, 2 colheres de sopa de shoyo, 1 colher de sopa de açúcar mascavo, 1 colher de chá de sal e 1/4 xíc. de suco de limão e deixar na geladeira por aproximadamente umas 6h (mas quanto mais tempo melhor, viu?)

então vamos assar né? você vai cobrir o tabuleiro com papel alumínio e no forno, em temperatura de 180° mais ou menos, vai assar a costela por 2h, virando a mesma na metade do tempo e pincelando mais um pouco do molho pra ela não ficar nada seca.

depois desse tempo, retire o papel alumínio, pincele um pouco mais de molho, aumente o forno um pouquinho e deixe ficar bem douradinho de ambos os lados (mais ou menos 30 min. de cada lado).

pra finalizar bora fazer o molho de goiabada! em uma panela, refogue 1 cebola pequena junto com um fio de azeite até ela ficar bem macia. adicione então 2 colheres de sopa de catchup, 1 colher de sopa de mostarda, 1 colher de sopa de shoyo, 200g de goiabada picada e 1/2 xícara de água (que você pode colocando aos pouquinhos, enquanto a goiabada derrete). Caso queira deixar o molho sem pedacinhos, bata com um mixer ou liquidificador ;-)

na hora de servir, nada de economia no molho! bora se lambuzar, comer com a mão e ser feliz, muito feliz :-)

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

TV BAHIA

 

Quero agradecer a toda equipe do programa paladar, pelo carinho e atenção de todos ao me entrevistar. O programa vai ao ar no canal aberto KIRIMURE-10.2- filiada a TV BAHIA.
Em outros estados pode acompanhar em www.vembahia.tv
Convido e espero carinhosamente todos os meu amigos, seguidores e leitores dia 17-10-2020 ás 14:45. Será uma conversa aberta e livre sobre variações sexuais dentro da indústria do sexo no Brasil.
🤴Príncipe Marlon De Albuquerque

terça-feira, 6 de outubro de 2020

A vacina contra covid19

 

Na quarta-feira (14), João Doria assinou o contrato com o laboratório chinês Sinovac para o recebimento de 46 milhões de doses da vacina Coronavac, desenvolvida pela empresa em parceria com o Instituto Butantan. A assinatura ocorreu três meses após o anúncio da parceria para a produção da vacina.
No mesmo evento, o governador anunciou que a vacinação deve ter início em 20/12/2020. Os governantes dos outros estados não manifestaram interesse. Fonte: jornal da Record . 🤴 Príncipe Marlon

Tristeza

 

Meu amigo Francisco, advogado, 38 anos, filho único, não era grupo de risco e acabou de falecer por covid19. Desejo que Jesus te receba com o abraço mais amoroso do mundo meu irmão amado!
Príncipe MARLON

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

O pior presidente de todos os tempos

 

O Brasil já é considerado o pior do mundo no enfrentamento ao combate do novo coronavírus. E o motivo? Tem nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro. Sim, o presidente brasileiro foi eleito pelo jornal Washington Post como o pior entre os líderes globais no combate à pandemia. No entanto, a política genocida, que leva milhões de cidadãos à morte, aplicada tanto por Bolsonaro quanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai além da covid-19.

Patrícia Acerbi, professora de História Latino-Americana da Universidade da George Washinton, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar na rádio CBN, aponta que o Bolsonaro e o Trump são presidentes que não querem ver a realidade. Ela avalia que Trump deverá perder a reeleição por causa das respostas à pandemia e aos protestos contra o racismo estrutural do país (ver mais abaixo).

Genocida
Essa política genocida de Bolsonaro e Trump na pandemia levou os dois países a liderarem no mundo o número de pessoas contaminadas e de vidas perdidas por Covid-19. O negacionismo levou o Brasil para uma disputa política e sem governo no combate ao vírus. Além de não apoiar estados e municípios na realização do isolamento social.

A urgente necessidade de fazer campanhas educativas sobre o uso de máscaras, a higienização das mãos com álcool gel, o distanciamento social tomou lugar a comentários como “Gripezinha não vai me derrubar”, “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, “Não podemos entrar numa neurose”, “Vírus está indo embora”. Essa negação sobre a pandemia teve como consequência e a morte de mais de 180 mil pessoas no Brasil.

A falta de uma política pública de combate à disseminação de contágio pelo novo coronavirus levou ainda os trabalhadores, que precisaram continuar nas atividades, a uma situação de maior risco de contágio. O governo ao invés de proteger os emprego e a renda, fez exatamente o contrário com a MP 936, quer permite a redução de jornada de trabalho e até suspensão do contrato por até 3 meses.

A política genocida tanto de Bolsonaro quanto de Trump vão além da pandemia. Da mesma forma como o cidadão americano George Floyd foi brutalmente morto por um policial branco, no Brasil a grande maioria das pessoas mortas por intervenções policiais é negra. Entre 2017 e 2018, segundo dados do anuário de Segurança Pública, dos 7.220 registros de mortes por intervenções policiais, 95,4% eram pessoas negras.No Rio de Janeiro, o menino João Pedro, de 14 anos de idade, foi assassinado a tiros enquanto brincava no quintal de sua casa. Além de João Pedro, outras mortes como a de Ágatha Félix, de 8 anos, Kauê Ribeiro dos Santos, de 12 anos, e Kauan Rosário, de 11 anos, vieram à tona após operações da polícia carioca. Esses assassinatos por parte do Estado não são coincidência, nem novidade, fazem parte de uma política genocida, fruto do racismo estrutural.

Não existe álcool gel capaz de limpar a mão que digitou 17.

🤴 Príncipe Marlon


terça-feira, 22 de setembro de 2020

― Caio Fernando Abreu, Os Dragões não Conhecem o Paraíso


 

“Tenho um dragão que mora comigo.
Não, isso não é verdade.
Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.
Isso me pareceu grandiloqüente e sábio como uma ideia que não fosse minha, tão estúpidos costumam ser meus pensamentos. E tomei nota rapidamente no guardanapo do bar onde estava. Escrevi também mais alguma coisa que ficou manchada pelo café. Até hoje não consigo decifrá-la. Ou tenho medo da minha - felizmente indecifrável - lucidez daquele dia.”


― Caio Fernando Abreu, Os Dragões não Conhecem o Paraíso

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Eu com cinco anos, me preparando para minha precária vitória humana

O mundo não meu deu espaço para estacionar meu amor, meu carro, meu ser. O inferno são os outros.
Esconder minha sexualidade quando criança me tortura até hoje
Quando criança, eu era muito cuidadoso com meus livros e cadernos. Usava canetas diferentes para perguntas e respostas e criava símbolos para itens. Minha letra era redonda e bonita. Era um dos meus orgulhos numa vida que ainda havia pouco do que se orgulhar. Até que um dia disseram que minha letra era de menina…
Eu havia sido descoberto.
Entre tantos detalhes tentando fingir ser igual aos outros, eu deixei passar aquele pequeno detalhe: a letra. Passei a enfeiá-la e a ser descuidado com meu caderno.
Essa foi a primeira vez de tantas outras que fui ‘descoberto’ e tentei me cobrir. Uma criança. Uma pobre criança tentando esconder um segredo que ela não havia criado. Um segredo que nasceu semente junto a ela, e aos poucos floresceu.
Uma criança que tentava modificar sua voz, seu jeito, seus gostos. Tentava evitar que aquela flor que nasceu com ela ficasse frondosa e os outros percebessem.
Durante meu processo de autoconhecimento durante síndrome do pânico, essa foi uma das coisas que vieram à tona. O quanto esconder minha sexualidade desde criança agravou minha ansiedade.
Vim de uma família religiosa, então era comum em sermões da igreja ouvir reprimendas quanto a ser homossexual. Pequeno ainda não compreendia o termo relacionado à sexualidade, mas percebia que era vítima de piadas quando ‘desmunhecava’, ou queria fazer ‘coisas de menina’.
Eu me sentia tão diferente dos meninos de minha escola. Fazer educação física com eles, ou ter que participar de atividades ‘de meninos’ era desgastante. Tentar jogar futebol me embrulhava o estômago e tantas vezes tive que criar doenças para faltar a esses eventos.
Minha mãe me recriminou por brincar de boneca e casinha com coleguinhas. Até hoje minha mãe diz que o destino de todos homoafetivos é ser velho, abandonado, doente, sozinho e defasado emocionalmente. Mesmo quando ela não diz eu sei que pensa. Mas eu não sentia a mínima vontade de brincar com meu irmão e seus robôs, ou ver com eles animes japoneses violentos, ou filme de ação com meu pai.
Durante esse processo em que eu não podia fazer o que gostava e nem me interessava fazer o que eles queriam, eu fui me fechando. Tornei-me um menino introvertido e amedrontado. Que calava o que sentia. Que escondia quem era. Sem pertencer a um mundo.
Fugi.
Eu lia, lia muito. Lia mil livros. Criava mil histórias. E estudava.
Na minha primeira sessão pós ataque de pânico o analista perguntou-me: do que afinal eu fugi? Por que eu me martirizava tanto para estudar e ser melhor do que todos?
Antes eu pensava que eu estudei tanto para ser rico. No momento em que tive dinheiro percebi que não. Não comprei carro, apartamento. Nada disso me interessa ou enche meus olhos. Não sou nem um pouco materialista.
Mesmo assim aquela ansiedade infantil ainda me matava. Aquela vontade de fugir. Então enxerguei o quanto eu fui torturado. Eu tive que estudar para um dia fugir daquela minha cidade de 20 mil habitantes. Eu tinha que fugir para um dia poder ser quem eu era.
Eu consegui meu intento mas ainda me escondia. Tinha vergonha de ser eu.
Continuei lendo para fugir. Estudando para ter recursos para fugir. Escrevendo tanto para criar novos mundos e poder fugir.
E para qualquer lugar que eu fugisse, a angústia me acompanhava. Por que ela estava dentro de mim. E essa angústia voltava crescer, após o rápido alívio da fuga. Crescia, crescia até que eu a vomitava e enchia o ‘novo lugar’ com toda minha incompletude e insegurança.
Passei tanto tempo fingindo ser outra pessoa, sem poder ser eu que de alguma forma não sei como ‘ser eu’. Não me identifico com as coisas. Não me sinto em casa. Sinto-me amado e querido por tantas pessoas mas não consigo sentir o mesmo por elas.
Eu ainda sou aquela criança que se sente deslocada em todos lugares. Que se sente deslocada dentro do próprio corpo. Eu cresci mas ainda não pertenço a ninguém e a lugar algum.
Talvez as coisas fossem diferentes se eu não tivesse precisado fugir. Se eu tivesse o apoio necessário para me orgulhar da minha exótica afetividade e sexualidade . Pudesse fazer parte do grupo das meninas. Desenvolvesse minhas habilidades de relacionamento desde a adolescência.
Mas essa não é minha história.
E eu tenho que parar de fugir.
Só quando eu parar e olhar para mim mesmo, vou poder me despedir daquela criança ansiosa e com medo de viver e amar.
O que me dói é saber que essa minha tortura é igual a de tantas outras milhares de crianças. Tantas outras que fingem ser algo que não são. E desenvolvem problemas psicológicos que vão carregar para o resto da vida.
Até quando torturaremos nossas crianças para serem aquilo que não são? Quando vamos perceber que nossa felicidade depende, antes de tudo, de sermos o que queremos ( e nascemos) pra ser? Quando vou libertar a criança que um dia eu fui e dizer para ela que não há problema em ser desse jeito… Desse jeitinho. Pode ser uma flor se quiser. E ter a voz mais fina do mundo e uma alma toda cor de 🌹 rosa dentro da minha precária vitória humana. 🤴 Príncipe Marlon