Surpresa

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quinta-feira, 19 de março de 2020

Profecia? revelação? psicografia?


Reflita,mude, ame . . .


Algo invisível chegou e colocou tudo no lugar. De repente os combustíveis baixaram, a poluição baixou, as pessoas passaram a ter tempo, tanto tempo que nem sabem o que fazer com ele. Os pais estão com os filhos em casa, o trabalho deixou de ser prioritário, as viagens também. De repente, silenciosamente, nos voltamos para dentro de nós próprios e entendemos o valor da palavra solidariedade.
Num instante demos conta que estamos todos no mesmo barco, ricos e pobres. Que as prateleiras dos supermercados estão vazias e os hospitais cheios, e que o dinheiro e os seguros de saúde que o dinheiro pagava não têm nenhuma importância, porque os hospitais privados foram os primeiros a fechar.
Nas garagens estão parados igualmente os carros de última geração ou carros mais modestos, simplesmente porque ninguém pode sair.
Bastaram meia dúzia de dias para que o Universo estabelecesse a igualdade social proposta por cristo Jesus que se dizia ser impossível de repor.
Que isto sirva para nos darmos conta da vulnerabilidade do ser humano. Marlon príncipe

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

A barata imaculada


Ontem pensei que eu estava tendo uma crise de epilepsia, mas foi apenas um orgasmo!
Estou morrendo aos poucos, e quanto ao meu espírito, que Deus o tenha se agüentar. Antes disso quero ter um filho que se chamara Diego, ele comera goiabada todos os dias e será lindo como todos que possuem esse nome, legitimados pelas mais lindas luminosidades.
Hoje senti a presença dela, eu daria todo resto da minha vida para ter um abraço seu vovó. Mas a morte não tem volta como tudo que escrevo.
O mundo é pesado à gente tem que tirar forças de onde não se tem mais para fazê-lo girar, empurrando, empurrando, empurrando para ver se ele gira e alguma coisa melhora. Pura ilustração da eterna luta pela sobrevivência.
Oro e choro ao mesmo tempo para tentar lidar com esse desmanche que se tornou meu falso paraíso.
Estou fraco por todos os apelos de paz não atendidos, reprimidos, inutilizados e esquecido em um empoeirado porta retrato.
Circo, carnaval, futebol, sexo e gloria retalharam minha história.
Passei cem anos procurando a senha para girar sorridente no carrossel, nem que fosse por alguns instantes. O paraíso é mentira, o paraíso é improviso.
Estou tentando me reconciliar com a minha amarga escrita, através dela morrer será minha obra mais bela.
Apesar da fé, esperança e amor o pódio da vida é sempre a dor.
Meu Deus é bruto e minha resistência se tornou apenas insistência inútil.
É cada vez mais difícil juntar na mesma cama, duas pessoas com a participação da palavra amor.
Me coração acabou de ser desafiado, ofendido, aprisionado e desprezado.
Nunca me senti tão livre para viver e morrer.
Espero que alguém segure minha mão quando eu não suportar mais o punhal da vida. Eu espero e desespero.
Hoje apareceu em meu apartamento uma linda e delicada barata, lembrei que Bob Marley dizia que tudo que vive merece viver.
Eu a apanhei em minha mão e soltei na janela, com a esperança que ela voe e fique entranhada nos longos cabelos loiros de alguma madame loira e rica. Juro se algum dia em encontrar uma já morta vou transformá-la em um baseado e a fumarei sem culpas como fazem todos os maconheiros, que sabe assim eu seja promovido e não precise mais penar nessa infernal torre de babel.
Fumar causa câncer, viver também.
Quero ficar brisado de tanto fumar a barata, ao passo que não creio mais na luz, creio apenas na iluminação.
Cada cigarro que acendo e fumo com muito gosto e prazer é na verdade um surto adiado.
Em uma mão o cigarro e em outra a vela que coloco aos pés da cruz entende meu amigo/irmão?
Hoje minha cartomante me falou que sou a reencarnação de um palhaço Argentino que morreu queimado no próprio circo.
Por Deus me deixa ser exatamente como sou, pode chamar de solidão, clareza, lucidez, depressão eu não ligo, me deixa sozinho como um cão roendo seu osso. Não sou como você e nem como os outros que te acompanham cheio de amor às avessas, talvez eu seja pior. Você não tem obrigação de me engolir, só eu tenho.
O calor do meu cigarro embaçou o seu retrovisor, dos males é o menor.
Ontem eu tinha na mão um copo de cachaça, hoje tenho em uma mão um copo de cerveja e na outra um copo de tristeza.
O que desejo para mim é o mesmo que desejo para você meu amigo/irmão.
Que a vida nos retire dos escombros dessa vida raquítica e que possamos gozar junto do vôo mais bonito do mundo, nem que seja com asas emprestadas por borboletas mortas.
Preciso assumir essa minha maldade de querer a morte de uma barata apenas para depois fumá-la até o ultimo trago de vida.
A imaculada barata hoje se tornou meu contraponto, esse é o ponto.
Marlon Príncipe

domingo, 12 de janeiro de 2020

Acabamentos


Não se preocupe comigo, prometo morrer ao vivo.
E eles os semimortos que me julgam sem nem ao menos saber da agonia que passo por trás de tudo que disfarço.
O apostolo Paulo tinha um espinho na carne, e eu como posso ter calma se tenho um espinho na alma?
E essa alegria suicida que sinto quando entro em contato com a palavra muitas vezes me salvou.
Matei Deus e Fujir da gaiola, sou livre, sou?
Assumo com dor e raiva que sou escravo e devoto da palavra, das benditas e das malditas também, com igual fervor.
As pessoas envelhecem, elas estão morrendo, inclusive eu e você que outrora já viu de perto o mais genuíno amor morrer.
Escrever é um desafio penoso e perigoso, mas vou seguindo, até onde? Não sei dizer.
Lembro-me de quando te emprestei meu destino e você dona do mundo, dona de casa e dona de nada me emprestou sua esperança, inútil lembrança.
Escrevo em forma de oferenda de aço e de flores, e quando em penso que já disse tudo meu coma psicológico me diz que ainda falta alguma coisa, o que será? Por Deus o que será?
A única certeza original que tenho e dela não abro mão é o mistério que me engole a cada amanhecer.
Em plena solidão sacralizada o poeta ousou dizer que somente o dinheiro compra o amor verdadeiro. Deixo aqui ilustrado que meu compromisso é com a palavra e não com o outro e assim me recordo que somente os grande tem grandes dores como me disse o professor Ivan Antonio.
Eu quero escrever um livro provavelmente sobre a minha habilidade de me movimentar no escuro, sem ninguém perceber, tudo isso é fruto da minha fragilidade, que não me permite aceitar os acabamentos da vida.
Que possamos sempre reconhecer a força do outro, sem permitir jamais que isso encabule nosso medo mais bonito.
Escrevo sobre flores, quintais e punhal, para esquecer um pouco que toda vida, a minha a sua, possui um golpe final.
Carrego comigo milhares de perguntas e cem mil cérebros de cimentos, de repente tudo em mim é incomunicável, e a resposta que busco tanto mora na infernal casa do silencio.
Escrever é o oficio mais perigoso do mundo, não estou falando de Augusto Cury, Zibia Gaspareto ou Paulo Coelho (embora eu tenho profundo respeito por todos), mas estou falando de quem escreve com o coração na boca como eu.
Escrever é um parto, podemos parir uma flor, ou uma dinamite, depende da lua.
E onde eu vou parar? Onde tudo isso vai parar? Não sei.
Restou apenas eu, a palavra e a minha tão ilustrada deficiência afetiva.
Escrevo me denuncio, me renuncio, me pronuncio e por um breve momento até esqueço que nesse mundo onde sou um mero amador só tem platéia para a dor.
Marlon Príncipe.






segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Orfandade



Hoje pela primeira vez tive um sentimento que nunca me ocorrera antes, o nome dele é orfandade, a dor foi tamanha que me senti engolido pela própria vida. Parece-me que a gente vira homem e logo adoece por dentro.
Talvez essa forma violenta e com tamanha clareza que a vida tem de nos apresentar a solidão seja também uma forma de crescimento.Família é um teatro prosaico, onde só tem aplausos no natal.
A vida adulta me ensinou que quando temos a sorte de ter alguém para segurar nossa mão por suposta caridade é porque na verdade ele sabe que possuímos algo de que ele precisa.
Quem dera poder apagar tudo que vivi, tudo que passei, tudo que penei, mas a vida é como uma flecha lançada não tem volta, nunca tem volta.
Crescemos e viramos um bicho de tanta lucidez.
Eu ando pelo mundo, converso com pessoas, dou milho aos pombos, escrevo toneladas de poesias, mas ninguém alcança.
A minha sensação de desencaixe é permanente, olhando para trás chego à conclusão que se pudesse eu mudaria tudo, menos uma coisa, pois foi à única que valeu a pena em toda minha vida.
Ainda me sobra um punhado de inspiração, mas sem garantias. Penso no meu futuro e me vejo velho, gordo,bebendo, fumando e escrevendo sem parar, na talvez inútil tentativa de não enlouquecer.
Já me tiraram tanto, espero que por pura caridade Deus não me tire à palavra, ela é meu oxigênio dentro do umbral que se tornou meu quarto.
Sempre escrevi, publiquei livros, sou lido por paralíticos emocionais como eu e por puro carinho inocente sou grato.
Às vezes Deus me tira a palavra e imediatamente fico cego. De certa forma me culpo por nunca ter conseguido escrever uma história cor de rosa.
É uma espécie de inclinação para os escombros do mundo, mas juro que eu nunca quis ferir o coração de ninguém, só quero escrever do meu jeito sem abrir mão de minha verdade verdadeira.
Não quero ser entendido, isso para mim, seria cultivar prisioneiros.
Agora por exemplo eu queria ter uma historia bonita para contar, mas não consigo porque em meu coração a palavra orfandade já foi escrita.
Hoje chorei, chorei pela criança que me roubaram a oportunidade de ser, choro principalmente por aqueles que têm fome e sede de justiça, entre eles estou eu. Tem dias que deito e já quase dormindo lembro-me que não chorei, prontamente me levando choro um pouco e volto para meu sono consolador. É uma espécie de penitencia que Deus me deu.
Existe um pacto amoroso entre a maternidade e o cemitério e eu totalmente molhado de chuva não consigo entender esse mistério.
A ignorância seria uma benção?
Tenho recusado todo tipo de aproximação, para usufruir de um punhado de paz para beijar o céu.
Escrever é o oficio mais difícil e perigoso, podemos parir luz ou treva. Eu apenas vomito e fujo para não engolir meu próprio vomito.
Humildemente peço perdão a Deus todos os dias pelo amargo e doce pecado de escrever.
Eu trocaria tudo que tenho e vivi, por alguns instantes de plenitude.
Sinto-me um adulto infantilizado procurando um brinquedo que perdi há mil anos.
Ganho dinheiro escrevendo e vendendo as minhas indigências, é um caminho sem volta e fatal, ao passo que não possuo dom e nem habilidades para mais nada.
A palavra me deu tudo, por isso sou escravo e devoto dela, a palavra me deu inclusive a clareza e seu veneno.
As pessoas não querem ser famosas para serem celebridades, mas para serem amadas. Pensem o que quiserem, mas a verdade é que o amor mora longe.
Agora eu queria gritar para o mundo inteiro ouvir, mas não posso, preciso escovar os dentes e dormir.
Marlon príncipe

FIM




Cada palavra aqui escrita é um suicídio adiado.
Se não quiser ler , não leia, é tudo uma bosta a base de minha mudez que ninguém gosta.
Nada aqui ou em mim há ódio, é apenas um canto de lamento.
Venci, cheguei à terra prometida, mas já era tarde demais.
Juro que faço um esforço surreal para me manter vivo, pelo menos fisicamente.
Estudo, trabalho, leio, como goiabada, lavo roupas (adoro), escrevo, apago, mas no final de tudo a vida nunca me empresta o sabor.
Peço desculpas, mas não mais farei concessões enquanto escrevo.
Depois que o fogo apagar e só restar fumaça, diga o que quiserem, eu não me importo.
Alegria só tive duas, mas foram genuínas, como as das cigarras que nascem e cantam até a morte.
É que na verdade me culpo um pouco por te contaminar com minha insanidade, mas com a mesma força que cuspo aqui meu veneno te peço perdão na ingênua e brutal esperança de que no final das contas sobre de mim, dentro de você apenas a ternura e o carinho.
Eu continuo remando, mas de que vale remar se o mar está vazio, é nessa hora que sou possuído por uma escuridão que me reduz aquela criança assustada e medrosa que um dia infelizmente eu fui.
A morte não da tréguas e hoje perdi quem mais amei. A morte me desorganiza, a vida também.
Vou continuar lutando, mas sobra à pergunta, existe coisa pior do que continuar, continuar e continuar sem esperança alguma?
Lutei, mas o inevitável aconteceu, em meio a luzes, danças, festas e também glorias a vida, a minha vida perdeu o sabor.
Escrevo para me salvar, porem sem fé nenhuma.
Sinto falta de ar, sinto falta do filho que não gestei, das flores que não plantei, do amor que perdi na esquina da morte. Ainda espero um dia me reconciliar com Deus, com a vida e suas esporas de aço.
Cada dia que passa, mais e mais deixo de pertencer a tudo e todos.
Quis o amor, fiz amor, dei amor, no final de tudo restou apenas um vale de lagrimas.
Penso que o que ainda me mantém vivo é a certeza de um dia vou morrer.
A vida nem sempre foi cruel comigo, mas o pouco que foi retalhou minha alma infantilizada inteira.
O que mais me dói é saber que a vida não é uma resposta, nem mesmo o contrario dela responde a minha mais intima perturbação.
Para mim é mais fácil entender os psicopatas dos que os ingratos. Quanta ingratidão meu Deus, tenho que engolir, sem poder dizer nada, porque nada do que sinto e escrevo altera o que quer que seja.
Nunca me senti, tão só (talvez todos sejam sozinhos, ainda que alienados não percebam).
Minha alma não cabe mais nesse apartamento, nem nessa cidade, nem no país das maravilhas.
Se por acaso um dia você me ler, te peço humildemente que nunca permita que a vida te apodreça como me apodreceu.
Escrever para mim, não é mais prazer, é apenas uma espécie de opioide.
De repente você perde o carro, a grana, a saúde, o rebolado e a alegria de viver, e inevitavelmente todos se afastam. Vou te contar um segredo que descobri a duras penas, amizade só existe até a pagina dois, amizade é mentira.
A forma como a vida me revelou a solidão também é uma forma de morte.
É torturante continuar seguindo sem a menor vontade,mas parece que de nada mais posso fugir, porque meu algoz é meu próprio destino.
Eu sou vinho, você pode me colocar mil vezes em uma garrafa de cachaça, eu permanecerei sendo vinho, mas a essa altura do meu coma emocional essa certeza, não serve para porcaria nenhuma.
Deus que me perdoe, mas quem já vivenciou a experiência de ser lixo nunca mais será inteiramente imaculado.
Escrever também é uma forma idiossincrática de sacralizar o cruento silêncio interno.
Nesse momento que você me ler com susto e horror, alguém está morrendo, provavelmente alguém amado, e eu nada posso fazer, estamos o tempo inteiro mudando de porto e até o presente momento, eu não consigo me salvar.
Estou aprendendo a odiar e amar com igual fervor o fim das coisas, talvez um dia, provavelmente em um domingo, a vida me revele do jeito mais bonito que a única forma concreta de salvação, seja justamente o tão temido fim.
Paguei e pago um caro pedágio por cada dia de vida, e se batem na minha porta eu nada posso oferecer porque até meu pão Deus jogou na chuva.
Perdoe minha falta de ar, perdoe minha falta de luz,perdoe,perdoe minha falta de força e até minha falta de amor, que outrora era constante, verdadeiro e de uma pureza quase angelical.
Nada do que fiz, vivi e escrevi foi por mal é que no auge da minha ternura pensei que brincar de viver curava feridas.
Em meu coração nunca houve grades, por isso tantos e tantos entraram e saíram, para nunca mais voltar para me ajudar a arrumar a bagunça deixada.
Não se iluda meu irmão, não se pode navegar em um rio vazio.
Obrigado por pensar em mim, aceite o meu mais puro e sincero carinho. Rasguem minha pobreza, não a guarde para si, ela é perigosa.
Agora vou parar preciso de um gole de café, um gole de vida ou um gole de uísque.
Até outro dia qualquer ou nunca mais. Basta!
Marlon Príncipe

sábado, 30 de novembro de 2019

domingo, 24 de novembro de 2019

O maior amor do mundo



A mim ela ensinou tudo.
Sobrou apenas a pergunta: como pode um peixe vivo, viver fora da água fria?
Sempre quis levar minha vó no cinema, viajar, teatro e etc.. .Mas nunca tive dinheiro, depois quando eu já poderia, ela já estava doente e totalmente debilitada.O destino foi cruel conosco.
É a única pessoa que me amou exatamente da maneira que eu necessito ser amado, e eu a amo e sempre amarei acima de tudo e de todos.
Um morto amado nunca mais para de morrer.
Por ela vou continuar vivendo, amando,escrevendo e fingindo está vivo, a para sempre morto por dentro.
Ela viveu 88 anos, mas eu nunca quis que ela morresse antes de mim.
Meu amor MAIOR, minha fada você é iluminada pelos raios da ternura, minha vida.
Não irei no sepultamento, pois jurei nunca mais voltar na cidade onde ela mora, vou cumprir o juramento até meu ultimo suspiro.
Metade de mim morreu e a outra metade também.
Segue a musica que cantávamos um para o outro: como pode um peixe vivo, viver fora da água fria, como poderei viver sem a sua companhia?
Hoje o que me mantém vivo é a esperança de um reencontro, sem demoras. . .
A minha primeira experiência de fé foi quando eu tinha seis anos de idade, indo para maternidade com minha avó visitar meu primeiro irmão que havia nascido andando pela rua segurando a mão de minha vó eu escorreguei, mas ela segurou firme a minha mão, eu confiei, eu acreditei que ela não me deixaria cair. Deu tudo certo ela sustentou meu pequeno corpo com sua mão e eu não cair. Essa foi a minha primeira experiência de fé. Aos poucos fui entendendo que Deus usa mãos, bocas e rostos humanos para nos livrar de escorregões nas avenidas das cidades ou da alma.
Tenho muitos amores e minha mãe certamente é um deles, minha mãe tem um papel fundamental na minha vida porque ela me faz pensar que sou possível. Mas o maior amor da minha vida é minha avó Maria, ele sempre me deixou chorar a vontade, ela nunca abortou minhas lagrimas, ela sempre me acolheu sem perguntar nada, sem questionar, jamais em tempo algum outro amor me completou tanto, ela é sem duvida o único ser humano que conheci e nunca em tempo algum quis roubar o meu direito de ser frágil. Ela estava (um morto amado não tem idade) idosa e frágil, às vezes lúcida às vezes não e a cada dia que ela perdia um pouco os movimentos emocionais ou físicos eu morria um pouco. Vejo na internet sempre vários grupos, organizado querendo resgatar animais que sofrem maus tratos, vejo grupos sendo solidários aos gays que sofrem violência em casa ou na rua, vejo pessoas indignadas com a violência contra as mulheres e tudo isso acho fantástico e apoio, mas nunca vi um grupo se organizar para resgatar idosos que são abandonados pela família em abrigos imundos pelo simples fato de perderem suas utilidades, a grande maioria dos abrigos para idosos no Brasil é um verdadeiro inferno, eles apanham, ficam dias sem tomar banho, são torturados e experimentam na carne a dor pior desse mundo que é o ABANDONO. Já vi campanhas adote um cachorro, adote uma criança com câncer, adote um menino de rua, e tantas outras. Penso que seria linda uma campanha adore um idoso, por que os inúteis também sentem fome de amor e poesia.
O poeta e cantor Carlinhos Brown disse certa vez que abandonar é um dos piores crimes que um humano pode cometer. Eu concordo totalmente.
A utilidade é um território muitíssimo perigoso, porque nos convida o tempo inteiro a amar apenas o que é útil, o que produz o que soma.
O que mais me da orgulho de ser escritor é que esse oficio, me oferece condições de visitar os contrários da condição humana, escrever me da livre aceso a minha indigência e através dela eu visito a do outro.
Esta semana um amigo me contou que leu em um jornal que uma moça espancou o pai de 75 anos pelo simples fato de ter pedido a ele para pagar algumas contas na internet e ele não conseguiu. A minha alma de criança chorou, a minha alma de idoso quis morrer.
Acredito sim na força de todos nos humanos empenhados em mudar a realidade que nossa vista esta cansada de ver e de tão cansada se acostumou. Preconceito é sempre igual, e racionalizar o fato de que o outro seja ele quem for também sente dor é o jeito mais bonito de ser pessoa.
Já fui fã, admirador e outras coisas mais de Clarice Lispector, hoje sou apenas devoto dela, é uma devoção quase suicida, mas me faz bem. Clarice disse certa vez: ‘‘eu gosto do que não presta pra nada’’. Mergulhar na inutilidade do outro é uma forma interessante de tentar desvendar o mistério de ser quem sou. Se depois de ter diante dos seus olhos um ser inútil você consegue amá-lo, tire a sandálias dos pês e agradeço a Deus, porque sem duvida nesse mundo de almas raquíticas você é um ser sublime, ou especial no sentido mais especial da palavra especial.
Voltando a minha avó Maria ela não prestava para mais nada, mas eu não sei viver sem ela. Pouco a pouco ela esta saindo do mundo das utilidades, mas não para entrar no mundo do esquecimento e sim para entrar no mundo dos significados.
Nunca foi amor, sempre foi maior.
Marlon De Albuquerque

Vinho



Sou vinho, você é cachaça, você pode me colocar mil vezes em uma garrafa de cachaça, permaneço sendo vinho!
Príncipe Marlon

sábado, 2 de novembro de 2019

Até breve




Grandes homens são todos os que conseguem fazer o mundo um pouco melhor graças à sua existência.
Educando uma criança ou colaborando pela sua ida à escola, acarinhando seu cachorro amado . . .
Dedicando algumas das suas horas mais preciosas aos seus amores.
Grandes homens são os que fazem a diferença na vida de alguém. São os que sabem semear o jardim das afeições com as delicadas flores da atenção e da presença, nos momentos mais marcantes ou decisivos das suas existências.
O mundo é hoje um lugar melhor porque você existiu e o tornou mais belo, amigável e justo para quem um dia se cruzou na sua vida.
Hoje seu coração não bate mais neste mundo, mas você será para sempre recordado com um grande homem! É um privilégio ter seu lindo sobrenome( Albuquerque) ser seu neto é uma honra.Por tudo isso me sinto na obrigação de ser cada vez mais justo, melhor e LUTADOR!
Você foi simplesmente o ser humano mais íntegro e honesto que algum dia conheci. E pode ter certeza que jamais será esquecido. Pois pessoas assim especiais como o senhor e meu outro avô João de Deus acabam por se tornar imortais.
Descanse em paz e se puder sinta orgulho do bem e de todos os ensinamentos valiosos que deixou a tantas pessoas. Até um dia.
Hoje é um dia triste, lembro do meu amado avô João de Deus, da minha linda avô Josefina, da minha irmã,do grande amor da minha vida que se foi com apenas 25 anos de idade, Glorinha, tia Ana Cruz, tia Carmelita e tantos outros que prefiro não lembrar , para não morrer de minha pior morte.
Mas me recordo de forma especial, do meu avô Waldemar Albuquerque , pois além de sua ausência, se ele estivesse conosco completaria 100 anos e tudo seria diferente e certamente haveria paz em todos os corações que possui o carimbo Albuquerque.
Seus ensinamentos, suas sábias palavras para sempre farão eco nas nossas consciências. E seu amor e postura protetora para sempre aquecerá nossos corações. Sentirei saudades eternas daquele que foi um dos homens mais fortes e melhores que já pisaram este planeta. Até sempre e descanse em paz, vô! Te amo!
O silêncio da morte é GIGANTE, o do meu coração , maior ainda.
Marlon de Albuquerque