domingo, 12 de maio de 2019

TE ESPERO NO CINEMA




Cheguei do nada, na sacola um milhão de interrogações e um coração pelejando pela sétima vez.
Nos meus tempos de menino, eu achava que o nível de segurança oferecido ao outro fortalecia o relacionamento, mas hoje sei que é o nível de insegurança que faz o amor durar.
O verdadeiro amor vence tudo , quando vive por um fio, ele dura, ele segue, ele ferve.
Posso ter dançado, chorado, brincado, mas nunca te dei mentiras, tudo era de verdade até eu e minha alma suja eram verdadeiros.
Sinto falta, o que me mata é a saudade do bale do seu corpo em minhas digitais.
Os meninos me massacraram, ou tive inclusive que pedi perdão muitas vezes por um crime nunca cometido. Perdão e prejuízo são duas coisas iguais e eu odeio com igual fervor.
A vida me revelou desde cedo que o maior crime é ser.
Não poder ser é a pior prisão, ao passo que não sobrou mais nada a dizer, Deus me prometeu a mudez um dia.
O amor então me custaria à vida, eu amo de outro modo, ou melhor, de vários modos.
Existem milhares de tipos de amor, aprendi na boca do lixo, qual você prefere?
Voei de asa quebrada e no final da estrada só havia retalhos de amor quebrado.
Até o ultimo dia de minha penitencia, tenho que me contentar com restos.
Hoje no ponto de ônibus eu ri, foram décadas de gargalhadas, porque todos já estavam mortos eu não.
Luto o tempo inteiro para não perder a ternura, eu falo daquela que outrora era natural. A ternura do coração é a mais bonita.
Ontem uma moça ruiva dividiu o guarda-chuva comigo, eu quis dizer algo, mas existem sensações tão iluminadas que não tem nome, apenas a gente sente.
Eu tenho um segredo, e você Gabriel, morto de cachaça e vida não sabe ao menos que ele também é teu.
Anular-me no lado mais macabro do meu lindo apartamento, seria um caminho, mas nada daquilo era meu. A gente perde para a chuva, para o mar e para Deus.
Claridade é uma palavra linda, mas já me cegou no passado do mundo.
Não tenho fé em mim, nem na sorte, nem em Deus.
Com o coração ardendo em brasas, a única coisa que acredito é no que escrevo, embora seja o oficio mais difícil.
Poesia e ponto final, não consigo pensar em outra coisa.
O país não me interessa, eu vou descobrir a trilha escrevendo, ainda que sejam esquizofrênicas palavras.
Palavras são como duas laranjas vivas dentro de mim.
Você já comeu pão morto , assim como eu, são elas as torradas o pão morto.
Eu sofro choro, corto pedaços do meu corpo de gilete e depois ainda tenho que vestir minha mascara de viver e pagar o aluguel.
Conheço muitas cidades países, mas nunca encontrei minha verdadeira pátria, e eu que penosamente moro dentro de mim, como posso esperar a primavera, se nem ao menos me sobra um espaço para eu estacionar meu carro ou meu ódio?
Tomei opioídes, era eles ou eu morria.
A tristeza é a mim totalmente familiar, moro nela e dela não abro mão, a alegria é apenas mais um estrangeiro imundo que passa para fuder meu cu e ir embora arrumando os cabelos.
Vou ganhar muito dinheiro, comprar um amor, depois ele me mata lindamente, de modo que a historia se tornará filme.
Espero-te no cinema.
Marlon- Príncipe maluco

Nenhum comentário:

Postar um comentário